Ferreira alertou que a volatilidade do dólar reduz competitividade do campo e representa desafio para o Paraguai
A forte queda do dólar e a crescente volatilidade do tipo de câmbio voltam a gerar preocupação nos setores exportadores do Paraguai. Para o ex-ministro da Fazenda, Manuel Ferreira, o cenário responde tanto a fatores internacionais quanto a decisões internas, e representa um risco para a competitividade de uma economia que historicamente se caracterizou por sua estabilidade cambial.
Em diálogo com Valor Agro, Ferreira sustentou que o comportamento do dólar já está tendo efeitos concretos sobre a economia e recordou que até mesmo as contas públicas refletem o impacto de um tipo de câmbio mais baixo. Segundo indicou, a arrecadação aduaneira registra uma queda interanual de 11,3%, uma situação estreitamente vinculada à evolução da moeda estadunidense.
O economista explicou que o enfraquecimento global do dólar também responde à estratégia econômica dos Estados Unidos. "Um dólar baixo é muito instrumental à política monetária e fiscal dos Estados Unidos. Se os Estados Unidos querem atrair empresas que se instalem em seu território não somente tem que colocar tarifas, mas também gerar custos relativamente mais baratos, e para isso o tipo de câmbio desempenha um papel importante", afirmou.
A partir desse contexto internacional, Ferreira considerou que enquanto Donald Trump permanecer no governo estadunidense o dólar poderia continuar perdendo valor frente a outras moedas. Porém, ressaltou que o maior inconveniente para o Paraguai provém de fatores internos que aprofundaram essa tendência.
"Se ocorre o que nos aconteceu, que por uma questão interna você termina tendo uma desvalorização do dólar próxima a 25%, enquanto outros países registraram movimentos da ordem de 11%, aí é onde aparecem os problemas e onde perdemos competitividade, sobretudo frente aos países da região", advertiu.
O ex-ministro apontou que esse deterioro competitivo impacta diretamente sobre as empresas exportadoras, entre elas a cadeia agroindustrial e pecuária, que comercializa boa parte de sua produção nos mercados internacionais e recebe suas receitas em dólares enquanto enfrenta grande parte de seus custos em guaranis.
Nesse sentido, considerou que o Paraguai deve voltar a priorizar a estabilidade cambial que caracterizou por muitos anos sua economia. "O que o Paraguai oferecia era a possibilidade de fazer um orçamento no final do ano sem grandes variações em variáveis que impactassem demais nas empresas. Isso deixou de ocorrer e a volatilidade está afetando os resultados", sustentou.
Quanto à evolução do mercado cambial, Ferreira estimou que o dólar poderia começar a recuperar parte do terreno perdido durante o segundo semestre, retomando o comportamento sazonal habitual impulsionado pela entrada de divisas provenientes da colheita agrícola. Não obstante, alertou que o recente grau de investimento...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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