Exploração de urânio e uso pacífico: Os detalhes do pacto nuclear entre EUA e Paraguai
O acordo, rubricado na terça-feira em Washington pelo ministro paraguaio de Relações Exteriores, Rubén Ramírez, e pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, tem como objetivo "fortalecer as capacidades do Paraguai neste âmbito com o apoio dos Estados Unidos", conforme informou o Ministério de Relações Exteriores. A seguir, os detalhes do acordo:
O vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, declarou na quinta-feira durante uma entrevista em uma rádio local que o pacto, inicialmente, tem como objetivo a exploração e registro das possíveis reservas de urânio do país.
"É explorar, fala-se de exploração", apontou Alliana, que acompanhou o chanceler paraguaio a Washington para a assinatura do acordo.
Em 2015, o Paraguai iniciou prospecções junto a uma empresa privada com vistas a estabelecer uma planta de extração de urânio no departamento de Caazapá (sul), onde foi certificada a existência de um jazimento de 10 milhões de libras do mineral, segundo informou o Governo do então presidente Horacio Cartes (2013-2018).
Mais recentemente, a empresa estadunidense Uranium Energy Corp investiu no Paraguai cerca de um milhão de dólares para a exploração de titânio e busca trabalhar no futuro em projetos relacionados com o urânio.
Ao informar sobre o acordo, o Paraguai indicou que as partes se comprometeram "com o desenvolvimento internacional e o uso pacífico da energia nuclear", ao mesmo tempo em que reconheceram "o papel que pode desempenhar a mesma na satisfação das necessidades energéticas de ambos os países".
Isto implica que o país sul-americano se comprometeu a abandonar o possível fomento da energia atômica com fins bélicos.
O encarregado de negócios dos EUA em Assunção, Robert Alter, afirmou na sexta-feira durante uma entrevista em uma rádio local que o pacto contempla "o compartilhamento novamente de melhores práticas, informação sobre a tecnologia, todos os requisitos de segurança, proteção e não proliferação" de armas nucleares.
Pequenos reatores
O memorando também abre as portas para que o Paraguai incorpore em sua rede de energia pequenos reatores nucleares para "assegurar o fornecimento de eletricidade no futuro", disse Alter.
Em abril passado, a Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) e o Organismo Internacional de Energia Atômica (OIEA) subscreveram, de forma telemática, um convênio de cooperação não vinculante para a aplicação da tecnologia de Reatores Modulares Pequenos (SMR, em inglês), com vista ao seu possível uso a longo prazo neste país, segundo informou a entidade oficial.
De igual forma, o diplomata assinalou que o instrumento persegue "acompanhar" o Paraguai para que no futuro possa tomar "decisões informadas" sobre o eventual uso da energia nuclear de maneira pacífica.
De todo modo, o vice-presidente paraguaio declarou que o Governo não se propõe explotar a energia nuclear no curto prazo e que o acordo se refere mais à exploração.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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