Europa endurece controles e ameaça suspender carne brasileira: cresce expectativa no Mercosul
A União Europeia voltou a acender um sinal de alerta no comércio internacional de carne vacuna e colocou sob pressão o Brasil, principal exportador mundial do produto. O bloco europeu advertiu que poderia suspender a partir do próximo 3 de setembro as importações de carne bovina brasileira se não receber "garantias suficientes" a respeito do uso de antimicrobianos como promotores de crescimento na produção animal.
O tema começou a gerar forte repercussão no mercado internacional e promete se tornar um dos eixos de discussão no marco da feira SIAL China, onde operadores, exportadores e importadores acompanharão de perto as implicações comerciais dessa possível medida.
Em diálogo com Valor Agregado Uruguai, o diretor de Tardáguila Agromercados e Faxcarne, Rafael Tardáguila, apontou que o cenário internacional "não dá respiro" e lembrou que essa situação aparece apenas dias depois das discussões geradas pela possível flexibilização tarifária impulsionada pelos Estados Unidos.
"Está bem recente o tratado de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul e era bastante claro que poderiam vir entraves na tentativa de complicar especialmente a chegada de carne vacuna e principalmente vinda do Brasil, que é aquele que mais medo causa aos produtores europeus", afirmou.
Tardáguila explicou que a preocupação europeia está centrada no cumprimento dos protocolos vinculados à rastreabilidade e utilização de substâncias proibidas pela normativa comunitária. Segundo indicou, a partir do Brasil consideram que estão oferecendo as garantias necessárias, embora na Europa persistam questionamentos.
"Do ponto de vista do Uruguai, e também para Paraguai e Argentina, a tranquilidade é que por enquanto os outros países do Mercosul seguirão habilitados normalmente para exportar para o mercado europeu", sustentou.
O analista destacou que Paraguai, Uruguai e Argentina cumprem atualmente com as exigências europeias em matéria de rastreabilidade e proibição de determinadas substâncias, o que lhes permite manter abertas as portas de um mercado de alto valor.
Brasil ganhou protagonismo em carne resfriada
Para além do pano de fundo sanitário e político, a possível suspensão do Brasil teria impacto direto sobre a dinâmica comercial e os preços internacionais da carne vacuna.
Tardáguila lembrou que o Brasil se transformou este ano em um provedor muito mais relevante de carne resfriada para a Europa, segmento historicamente dominado pela Argentina e Uruguai dentro das cotas Hilton e 481.
"As exportações brasileiras de carne resfriada para a Europa aumentaram 65% anual nos primeiros quatro meses do ano. Aí está a grande mudança qualitativa", explicou.
Segundo o diretor de Faxcarne, esse crescimento respondeu principalmente à escassez de oferta e aos elevados preços registrados na Argentina e Uruguai, situação que abriu espaço para a entrada do produto brasileiro no mercado europeu.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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