Estudo identifica potencial biomarcador em câncer de mama
Achados da investigação
Um recente estudo poderia contribuir para compreender como evolui o câncer de mama. Os resultados mostraram que os níveis de atividade de um gene poderiam estar relacionados com a supervivência das pacientes. Os achados abrem novas possibilidades de investigação para identificar indicadores que, no futuro, contribuam para predizer a evolução da doença e seu tratamento.
O Dr. Daniel Rodrigues de Bastos, investigador categorizado no Sistema Nacional de Investigadores (SISNI) e docente pesquisador da Universidade Privada do Este (UPE), encabeçou uma investigação intitulada "ATP1A2 como biomarcador prognóstico candidato associado ao subtipo no câncer de mama: uma análise integrada transcriptômica, epigenética in vitro".
Quanto aos principais resultados do trabalho, o pesquisador aponta que "observamos que a atividade do gene ATP1A2 era geralmente menor nos tumores mamários, especialmente em alguns subtipos considerados mais agressivos. Também identificamos que as pacientes cujos tumores apresentavam uma maior expressão deste gene tendiam a ter melhores resultados de supervivência. Isso não significa que ATP1A2 seja necessariamente responsável por um tumor ser mais ou menos agressivo, mas que sua atividade poderia fornecer informações relevantes sobre o comportamento da doença".
Colaboração internacional
A investigação foi publicada na revista científica internacional Epigenomics e reuniu pesquisadores, docentes e alunos de medicina do Paraguai e da Universidade de São Paulo, Brasil. O objetivo foi compreender melhor as características biológicas dos tumores e identificar moléculas que, no futuro, possam contribuir para o diagnóstico, a avaliação do prognóstico e, eventualmente, para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais personalizadas do câncer de mama.
"Este trabalho faz parte de minha linha de investigação denominada 'Bioinformática Aplicada à Saúde Pública', oficialmente reconhecida pela Faculdade de Ciências Médicas da UPE-CDE. Desde 2024 venho desenvolvendo e coordenando investigações nesta linha, com especial ênfase em oncologia molecular e na identificação e caracterização de biomarcadores tumorais, particularmente no câncer de mama e carcinoma cervicouterino, buscando gerar conhecimentos com potencial aplicação em saúde pública", explica Rodrigues.
Conceito de biomarcador
Em oncologia chama-se biomarcador qualquer substância, proteína, gene, mutação ou mudança molecular que se pode medir no corpo (em tecidos, sangue ou outros fluidos) e que revela informações específicas sobre o câncer.
Alterações genéticas no câncer
A investigação assume como base a diversidade dos tipos de tumores e suas características genéticas, reconhecendo que os genes podem apresentar alterações em sua atividade durante o desenvolvimento do câncer. Este estudo utilizou dados de 1.087 pacientes do projeto internacional The Cancer Genome Atlas (TCGA-BRCA), direcionando a atenção em um gene em particular.
"Decidimos investigar o gene ATP1A2, cuja função normal está relacionada com o equilíbrio de determinados elementos químicos dentro e fora das células. Nossa hipótese era que as alterações na atividade deste gene poderiam estar relacionadas com as características biológicas do câncer de mama e com a evolução clínica das pacientes", comenta o pesquisador.
O ATP1A2 é um gene que faz parte do ADN humano, que contém a informação necessária para produzir uma proteína que faz parte de um mecanismo conhecido como bomba de sódio e potássio.
"Em nossa investigação não extraímos o gene como se se tratasse de uma substância presente no sangue. O que estudamos foi principalmente seu nível de atividade, ou seja, o quanto se estava expressando..."
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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