Estamos governados por pessoas insensíveis, não são políticos, são mercadores, diz médico
O doutor Jesús Irrazábal felicitou o Sindicato Nacional de Médicos (Sinamed) por "se organizarem tão bem, demonstrando realmente o sofrimento e o padecimento de quem tenta fazer bem as coisas" e sobretudo por dar ênfase de que a medida de força também é pelas condições laborais para o paciente, já que "aqui há seres humanos que estão sofrendo".
Nota relacionada: "A saúde pública está sendo asfixiada", denuncia médico ante estoque zero de fármacos
"Isto (da luta) é muito mais que o salário dos médicos. O primeiro que disseram alguns senadores foi 'vamos aumentar os impostos', como se culpassem os médicos de algo que eles não puderam fazer, que é reconhecer que o orçamento para saúde é pobre", expressou à Rádio Monumental 1080 AM.
Situação da medicina social no Paraguai
O Dr. Jesús Irrazábal fala sobre a precariedade em que trabalham seus colegas no setor público e trata de "mercadores" as autoridades. "Aqui não falamos de saúde somente, falamos do direito do cidadão de ser atendido..."
Mencionou que a ministra de Saúde, María Teresa Barán, teve que sair a dizer "por fim" que seu orçamento não lhe alcança e que precisa de G. 2 mil milhões a mais.
"As pessoas saíram a defender seus médicos, até agora estou comovido pelos meus alunos, quando estive lá (no hospital), eram meus alunos. A doutora Norma Ruíz disse pelo Hospital Nacional 'esta é minha casa', o que quer dizer, 'os pacientes são minha família'. Essa é a concepção do médico e da médica de Saúde Pública", expressou.
Leia mais: Médico crítico do Governo de Peña é destituído de seu cargo em Hospital de Itauguá
Além disso, referiu que: "estamos sendo governados por pessoas insensíveis. Estes nem sequer são políticos. Por isso explode a crise, porque estes são mercadores. Aqui não estamos falando de saúde somente, falamos do direito do cidadão de ser atendido em qualidade e em equidade, assim como o dos colegas de receber uma melhor remuneração".
O Sindicato Nacional de Médicos (Sinamed) rejeitou nesta quinta-feira grande parte das propostas do Governo, como um reajuste de G. 400.000 para o salário piso, sob a figura de escalafão. O montante de reajuste que pedem os profissionais é de G. 3 milhões, buscando alcançar os G. 8 milhões como salário piso.
Nota relacionada: Médicos rejeitam "migalhas" do Governo e vão à greve
Os médicos defendem o reajuste com base na perda do poder aquisitivo com respeito à inflação que sofre o salário congelado desde 2012.
Os profissionais de branco qualificaram de "migalhas" o montante proposto pelo Governo, enquanto gastam milhões com amantes e petiscos.
Com respeito à data da nova greve nacional dos médicos, em assembleia do Sinamed fixaram segunda 21 e terça 22 de setembro próximos.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.