Estado regularizou menos de 10% das terras em 122 anos: A realidade da reforma agrária no Paraguai
Após a mobilização massiva de organizações camponesas, comunidades indígenas e comissões de vizinhança pelas ruas de Asunção com reivindicações de reforma agrária e habitação, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Rural e da Terra (Indert) alega falta de orçamentos para fazer frente à situação.
Francisco Ruiz Díaz, titular da instituição estatal, apontou que a reivindicação dos manifestantes para a execução real dos fundos para habitações sociais, a atribuição de terras para os povos originários e o aumento de recursos para o Indert, choca contra o escasso orçamento.
O funcionário reconheceu que os camponeses percebem um esgotamento na capacidade de resposta física.
O titular citou a postura dos manifestantes: "O Indert chegou ao tope de sua capacidade operativa, é o que pode fazer com o orçamento que tem atribuído e reivindicam que se lhe dê mais orçamento", expressou em comunicação com rádio Monumental 1080 AM.
A reforma agrária no Paraguai carrega um atraso histórico de mais de um século. De acordo com dados oficiais, em 122 anos de vigência deste processo, o Estado paraguaio adquiriu quase cinco milhões de hectares de terra, dos quais apenas transferiu 5% aos seus legítimos ocupantes.
Saiba mais: Marcha massiva camponesa e indígena por habitações e terras
🔴 Em 122 anos de reforma agrária, o Estado comprou 5 milhões de hectares, mas historicamente apenas se titulou menos de 10%
👉🏼 Francisco Ruiz Díaz, presidente do Indert, explicou que um estudo do ano 2019 revelou que, em mais de um século, o instituto apenas transferiu… pic.twitter.com/iqZymkdjl8
Pode lhe interessar: Debate de Estatuto Agrário: Alertam risco de maior concentração de terras
Esta ineficiência burocrática acumulada deu origem ao que Ruiz Díaz chamou de "a concentração maior de terra de toda a história do Paraguai".
A instituição, segundo Ruiz Díaz, implementou um programa de titulação massiva que já conseguiu formalizar quatro por cento das terras em apenas três anos. A modernização esbarra em arquivos que ainda são analógicos, conforme afirmou.
"O problema de 122 anos não vamos resolver em cinco, éramos conscientes das urgências. A instituição tem que estar toda digitalizada, todos os arquivos têm que estar todos digitalizados, disponíveis, transparentados, todos os processos", acrescentou.
A falta de digitalização é tão grave que até cidades inteiras, como Coronel Oviedo, se assentam sobre terras públicas que não figuram nos registros públicos formais.
O presidente da entidade apontou que os conflitos derivados da falta de regularização de terras geram uma perda econômica anual equivalente a 2% do produto interno bruto (PIB), o que representa cerca de 1.000 milhões de dólares.
Pelo contrário, a formalização dos lotes funciona como um motor de desenvolvimento produtivo. "Quando se entrega um título de propriedade a um camponês, sua produtividade pode aumentar entre 40 a 82%", refletiu.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.