Especialistas analisam implicações econômicas de maior déficit fiscal
Valoração da transparência fiscal
Os experts Martha Coronel, Rodrigo Ibarrola e Luis Rojas reconhecem positivamente que o Governo tenha transparentado o déficit estatal e implementado um novo plano de convergência fiscal.
Porém, concordam que um déficit maior acarreta riscos potenciais para a economia, especialmente no que diz respeito ao incremento de dívidas e seu impacto nos preços gerais.
Efeitos no endividamento
Martha Coronel, da Consultora Mentu, assinala que embora um maior déficit não necesariamente terá um efeito imediato sobre a inflação, a flexibilização sim pode traduzir-se em um aumento das dívidas públicas.
Segundo sua análise, isso geraria dois efeitos diretos. Primeiro, se o Estado recorre à emissão de bônus no mercado local, competiria por recursos disponíveis com empresas privadas e cidadãos, o que poderia desacelerar a redução das taxas de empréstimos privados.
Em segundo lugar, implicaria maiores pagamentos de juros em períodos posteriores, reduzindo o espaço fiscal disponível para novos investimentos em infraestrutura, áreas sociais e capital humano.
Desafios na política fiscal
Coronel apresenta como desafios principais melhorar a arrecadação sem necessariamente aumentar os impostos, mediante a formalização e eficiência tributária, além de reduzir gastos desnecessários e melhorar a qualidade do gasto público.
Propõe também que a regra fiscal incorpore regulações sobre o crescimento de ingressos e o aumento do gasto em função desses ingressos, obrigando o Estado a arrecadar mais para gastar mais ou ajustar-se a uma estrutura orçamentária sustentável.
A flexibilização deve ocorrer unicamente em situações excepcionais ou de choque, mas não como um aumento permanente sem exigências adicionais sobre ingressos e gastos, para evitar um círculo de endividamento constante.
Pressão sobre preços e capacidade produtiva
Rodrigo Ibarrola, do Cadep, afirma que embora nem todo déficit implique maior inflação, sim pode causar uma expansão significativa do gasto que pressione sobre os preços, especialmente se a economia opera perto do pleno emprego com pouca capacidade ociosa.
O efeito depende de fatores adicionais como a política monetária, o tipo de câmbio e o mecanismo de financiamento do déficit.
Ibarrola destaca que um déficit alto e persistente torna-se problema quando cresce mais rápido que a capacidade de pagamento estatal ou quando financia gastos correntes que não geram melhorias na produtividade.
Considerações sobre ajustes fiscais
O expert adverte que um corte abrupto do gasto pode ter efeitos negativos, particularmente se afeta serviços essenciais como medicamentos, saúde e infraestrutura.
Recorda que os superávits fiscais são pouco comuns internacionalmente e que os programas de austeridade nem sempre apresentaram bons resultados. O Fundo Monetário Internacional propõe continuar com a consolidação fiscal, evitando reduções excessivas do gasto social.
Para Ibarrola, o debate deve centrar-se em identificar o nível de déficit compatível com a prestação adequada de serviços públicos, o investimento necessário e uma dívida sustentável, considerando que resulta cada vez mais difícil sustentar o atual limite de 1,5% do PIB.
Foco no aumento de ingressos
Os especialistas concordam que o fortalecimento dos ingressos fiscais constitui um elemento-chave na política econômica, complementando qualquer modificação do déficit permitido.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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