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Economia

Especialistas analisam implicações econômicas de maior déficit fiscal

10/08/2026 20:45 3 min lectura 34 visualizações

Valoração da transparência fiscal

Os experts Martha Coronel, Rodrigo Ibarrola e Luis Rojas reconhecem positivamente que o Governo tenha transparentado o déficit estatal e implementado um novo plano de convergência fiscal.

Porém, concordam que um déficit maior acarreta riscos potenciais para a economia, especialmente no que diz respeito ao incremento de dívidas e seu impacto nos preços gerais.

Efeitos no endividamento

Martha Coronel, da Consultora Mentu, assinala que embora um maior déficit não necesariamente terá um efeito imediato sobre a inflação, a flexibilização sim pode traduzir-se em um aumento das dívidas públicas.

Segundo sua análise, isso geraria dois efeitos diretos. Primeiro, se o Estado recorre à emissão de bônus no mercado local, competiria por recursos disponíveis com empresas privadas e cidadãos, o que poderia desacelerar a redução das taxas de empréstimos privados.

Em segundo lugar, implicaria maiores pagamentos de juros em períodos posteriores, reduzindo o espaço fiscal disponível para novos investimentos em infraestrutura, áreas sociais e capital humano.

Desafios na política fiscal

Coronel apresenta como desafios principais melhorar a arrecadação sem necessariamente aumentar os impostos, mediante a formalização e eficiência tributária, além de reduzir gastos desnecessários e melhorar a qualidade do gasto público.

Propõe também que a regra fiscal incorpore regulações sobre o crescimento de ingressos e o aumento do gasto em função desses ingressos, obrigando o Estado a arrecadar mais para gastar mais ou ajustar-se a uma estrutura orçamentária sustentável.

A flexibilização deve ocorrer unicamente em situações excepcionais ou de choque, mas não como um aumento permanente sem exigências adicionais sobre ingressos e gastos, para evitar um círculo de endividamento constante.

Pressão sobre preços e capacidade produtiva

Rodrigo Ibarrola, do Cadep, afirma que embora nem todo déficit implique maior inflação, sim pode causar uma expansão significativa do gasto que pressione sobre os preços, especialmente se a economia opera perto do pleno emprego com pouca capacidade ociosa.

O efeito depende de fatores adicionais como a política monetária, o tipo de câmbio e o mecanismo de financiamento do déficit.

Ibarrola destaca que um déficit alto e persistente torna-se problema quando cresce mais rápido que a capacidade de pagamento estatal ou quando financia gastos correntes que não geram melhorias na produtividade.

Considerações sobre ajustes fiscais

O expert adverte que um corte abrupto do gasto pode ter efeitos negativos, particularmente se afeta serviços essenciais como medicamentos, saúde e infraestrutura.

Recorda que os superávits fiscais são pouco comuns internacionalmente e que os programas de austeridade nem sempre apresentaram bons resultados. O Fundo Monetário Internacional propõe continuar com a consolidação fiscal, evitando reduções excessivas do gasto social.

Para Ibarrola, o debate deve centrar-se em identificar o nível de déficit compatível com a prestação adequada de serviços públicos, o investimento necessário e uma dívida sustentável, considerando que resulta cada vez mais difícil sustentar o atual limite de 1,5% do PIB.

Foco no aumento de ingressos

Os especialistas concordam que o fortalecimento dos ingressos fiscais constitui um elemento-chave na política econômica, complementando qualquer modificação do déficit permitido.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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