Especialista afirma que Paraguai superou a Argentina em competitividade logística fluvial
Oficial da marinha mercante destaca vantagens fiscais e infraestrutura como fatores determinantes
O oficial de marinha mercante e especialista naval Fernando Morales sustentou que o Paraguai conseguiu se posicionar com uma das frotas fluviais de cabotagem mais importantes graças a incentivos fiscais, infraestrutura e formação técnica.
Segundo explicou, o esquema tributário paraguaio conhecido como "10 + 10 + 10" contempla um 10% de imposto sobre a renda, 10% de IVA e 10% de encargos patronais para empresários vinculados à navegação fluvial. Em contrapartida, apontou que armadores argentinos operando sob as mesmas condições enfrentam 21% de IVA, 53% de encargos patronais e entre 16% de imposto sobre ganhos.
Morales indicou que essa diferença de custos teria incentivado a migração de capitais para o Paraguai. "Transportar essa barcaça, empurrá-la de Assunção a Buenos Aires com bandeira paraguaia me sai pela metade que empurrá-la com bandeira argentina", expressou durante a entrevista.
Igualmente, explicou que a diferença não reside necessariamente nos salários nominais, mas nos custos associados para os armadores. Como exemplo, mencionou que um capitão paraguaio e um argentino poderiam perceber rendimentos similares, embora o custo laboral total para o empresário seria distinto devido aos encargos patronais.
Hidrovia como eixo do comércio regional
Morales definiu o sistema fluvial Paraguai-Paraná como "uma coluna vertebral da América do Sul", com uma extensão de 3.442 quilômetros, desde Porto Cáceres, em Mato Grosso, Brasil, até Nueva Palmira, Uruguai.
Nesse contexto, sustentou que a hidrovia representa um componente central para o comércio internacional paraguaio, o que, segundo afirmou, motivou o país a desenvolver estaleiros, uma escola de náutica e medidas de incentivo para o setor.
"Para eles todo o comércio internacional se maneja pela hidrovia", indicou ao se referir ao Paraguai e à relevância estratégica do corredor fluvial para as exportações.
O especialista explicou ainda que nem toda a extensão da via navegável requer dragagem, e precisou que o trecho de maior profundidade em discussão corresponde ao rio Paraná inferior e médio, principalmente até Santa Fé e a zona portuária do Grande Rosário.
Pedágio e investimento em infraestrutura
Sobre a cobrança de pedágio na navegação, Morales sustentou que esse mecanismo é válido "desde que o pedágio seja investido nas melhorias da via navegável", sinalizando que em setores onde a profundidade é natural não corresponderia uma cobrança associada a tarefas de dragagem.
Em relação com a administração argentina da hidrovia, afirmou que durante os últimos três anos o Estado argentino teria arrecadado cerca de USD 90 milhões provenientes da diferença entre o percebido por pedágios e os pagamentos realizados à empresa concessionária encarregada da manutenção.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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