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Economia

Especialista afirma que Paraguai superou a Argentina em competitividade logística fluvial

Oficial da marinha mercante destaca vantagens fiscais e infraestrutura como fatores determinantes

05/06/2026 05:01 3 min lectura 21 visualizações
Especialista afirma que Paraguay superó a Argentina en competitividad logística fluvial

O oficial de marinha mercante e especialista naval Fernando Morales sustentou que o Paraguai conseguiu se posicionar com uma das frotas fluviais de cabotagem mais importantes graças a incentivos fiscais, infraestrutura e formação técnica.

Segundo explicou, o esquema tributário paraguaio conhecido como "10 + 10 + 10" contempla um 10% de imposto sobre a renda, 10% de IVA e 10% de encargos patronais para empresários vinculados à navegação fluvial. Em contrapartida, apontou que armadores argentinos operando sob as mesmas condições enfrentam 21% de IVA, 53% de encargos patronais e entre 16% de imposto sobre ganhos.

Morales indicou que essa diferença de custos teria incentivado a migração de capitais para o Paraguai. "Transportar essa barcaça, empurrá-la de Assunção a Buenos Aires com bandeira paraguaia me sai pela metade que empurrá-la com bandeira argentina", expressou durante a entrevista.

Igualmente, explicou que a diferença não reside necessariamente nos salários nominais, mas nos custos associados para os armadores. Como exemplo, mencionou que um capitão paraguaio e um argentino poderiam perceber rendimentos similares, embora o custo laboral total para o empresário seria distinto devido aos encargos patronais.

Fernando Morales, oficial de marinha mercante e especialista naval durante a entrevista no meio argentino. Foto: Gentilza

Hidrovia como eixo do comércio regional

Morales definiu o sistema fluvial Paraguai-Paraná como "uma coluna vertebral da América do Sul", com uma extensão de 3.442 quilômetros, desde Porto Cáceres, em Mato Grosso, Brasil, até Nueva Palmira, Uruguai.

Nesse contexto, sustentou que a hidrovia representa um componente central para o comércio internacional paraguaio, o que, segundo afirmou, motivou o país a desenvolver estaleiros, uma escola de náutica e medidas de incentivo para o setor.

"Para eles todo o comércio internacional se maneja pela hidrovia", indicou ao se referir ao Paraguai e à relevância estratégica do corredor fluvial para as exportações.

O especialista explicou ainda que nem toda a extensão da via navegável requer dragagem, e precisou que o trecho de maior profundidade em discussão corresponde ao rio Paraná inferior e médio, principalmente até Santa Fé e a zona portuária do Grande Rosário.

Pedágio e investimento em infraestrutura

Sobre a cobrança de pedágio na navegação, Morales sustentou que esse mecanismo é válido "desde que o pedágio seja investido nas melhorias da via navegável", sinalizando que em setores onde a profundidade é natural não corresponderia uma cobrança associada a tarefas de dragagem.

Em relação com a administração argentina da hidrovia, afirmou que durante os últimos três anos o Estado argentino teria arrecadado cerca de USD 90 milhões provenientes da diferença entre o percebido por pedágios e os pagamentos realizados à empresa concessionária encarregada da manutenção.

Segundo Morales, esses recursos não teriam sido destinados a obras de integração regional ou infraestrutura vinculada à hidrovia, como novas pontes sobre o rio Paraná. Foto: Arquivo

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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