Entorno verde que se torna cinzento
Não obstante ter-se perdido pulmões icônicos – como o Bosque San Vicente – ou a derrubada sem autorização no bairro Madame Lynch, há cantos asuncenos que transbordam de natureza, mas o deterioro é a constante em quase todos.
Os orçamentos públicos não alcançam para a manutenção nem para embelezar esses espaços, que deveriam ser a prioridade em uma cidade que, com os rigores do verão, anseia por uma pausa ante o sol incessante e permite aminorar os gases de efeito estufa.
Geralmente, os sítios a cargo de órgãos oficiais experimentam abandono paulatino, com praças ou parques cêntricos ou próximos ao microcentro em estado deplorável, e alguns inclusive com cercas, por essa mentalidade coletiva de não querer cuidar dos âmbitos verdes, e uma falta de civilidade onde autoridades e cidadania devem ainda conscientizar-se sobre sua manutenção.
O Parque Caballero é o exemplo mais paradigmático de como um espaço público de grande valor histórico e cultural ficou em ruínas em sucessivas administrações comunais, experimentando nos últimos anos uma tímida tentativa de recuperação e transformação, para que as famílias voltem a ocupar o que até os anos oitenta era o orgulho da cidade.
O mesmo que o Jardim Botânico e o Zoológico, cuja vida sofreu problemas de toda sorte, incluindo assaltos a quem se animou a percorrer seu interior mediante caminhada ou trote, já que é um sítio de grandes arvoredos. Mas a negligência uma vez mais vem ganhando a queda de braço, porque se aplicam meros remendos ante a problemática de fundo que experimenta esse marco verde da cidade.
Exemplos de bom cuidado, em geral, são – não obstante – o Parque Ñu Guasu e o Parque Guasu Metropolitano, ambos contíguos e com grande perímetro para atividades físicas. É administrado pelo Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC).
A Municipalidade de Asunção, por sua vez, melhorou ultimamente as instalações do Parque Carlos Antonio López, com maior iluminação, frente a reclamações constantes de vizinhos e cidadãos que utilizam o sítio para sua recreação, já que pela tupida existência de árvores também se torna escuro o espaço quando cai o sol.
Mas há zonas verdes administradas por fundos que já não são públicos, e que dependem de orçamentos, como o do Instituto de Previsão Social.
Refiro-me ao Parque da Saúde, que sim evidencia cuidado, manutenção e representa um incomparável ecossistema afastado do ruído mundano, em que se pode mergulhar a realizar tarefas de lazer, com bastante oxigenação.
Os senderos bem dispostos, a sinalética adequada e uns caminhos de sonho permitem experimentar a quem ingressa no recinto uma sensação imersiva, como se estivesse adentrando em uma floresta do interior do país. Há paz, silêncio e apenas o trinado das aves envolve o entorno.
O que se observa maiormente é uma inclinação quase natural a que os espaços públicos se vejam deprimentes, deteriorados e abandonados, demonstrando pouca consciência geral desde as autoridades e mesma a cidadania, no esmero de cuidar o que beneficia a população. Cada inauguração ou tentativa de melhora que se realiza, deriva depois em ultraje, quebra, roubo ou decomposição rápida, pela inentendível atitude de desadaptados.
Não se alcança a dimensionar que o espaço público é uma grande vitória e um benefício para a convivência cidadã.
Certamente, o capital privado orienta parte de seus investimentos de responsabilidade social à manutenção de praças e parques, e para conscientizar sobre o meio ambiente; com o que compensa o abordagem míope do órgão oficial para preservar os sítios de valor, que acalmam a mudança climática e são tão necessários.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.