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Brasil-Paraguai

Encarnación enfrenta desafios comerciais apesar da vantagem de preços frente à Argentina

21/10/2026 20:15 3 min lectura 29 visualizações

Desafios no comércio fronteiriço

A vantagem de preços que o Paraguai mantém frente à Argentina não se mostra suficiente para sustentar a atividade do circuito comercial de Encarnación. A escassez de dinheiro disponível entre os compradores do país vizinho reduz significativamente as vendas e exerce pressão sobre os negócios que precisam cobrir aluguéis, serviços básicos e salários.

No setor relatam-se entre dois e três locais fechados por quadra, embora não exista um levantamento consolidado que permita precisar o total de estabelecimentos que deixaram de operar nem os períodos específicos em que ocorreram os fechamentos.

Comércios alugados, mais afetados

Os estabelecimentos que operam sob regime de aluguel aparecem entre os mais impactados. À obrigação mensal do aluguel somam-se gastos de eletricidade, água, pessoal e mobilidade, gerando uma estrutura de custos fixos que resulta difícil de sustentar ante rendimentos insuficientes. Neste contexto, alguns comerciantes, incluindo empreendedores estrangeiros que haviam chegado de Ciudad del Este, estão retornando àquela cidade.

Dimensão social da contração econômica

O alcance da queda comercial transcende aos locais estabelecidos. Segundo estimativas do setor, entre 8 mil e 10 mil famílias vivem diretamente do movimento fronteiriço. Este cálculo contempla a atividade de aproximadamente 3 mil comércios habilitados, ao redor de 1.500 ambulantes, vendedores de rua, trabalhadores de passeios e comissionistas. O número representa uma estimativa de dependência econômica direta desta dinâmica comercial.

Vantagens competitivas persistentes

Daniel Ferreira, presidente da Associação de Comerciantes do Circuito Comercial de Itapúa, sustenta que o Paraguai conserva preços competitivos derivados de sua menor carga tributária, inclusive posterior à liberação argentina de importações de produtos chineses. Entre os ramos que mantêm vantagem mencionam-se pneus, artigos de bazar, roupas de cama, vestuário e calçado esportivo.

Contudo, o fator limitante reside na disponibilidade de recursos do visitante argentino, quem não pode adquirir a totalidade de produtos que desejaria, reduzindo assim o volume de transações.

Iniciativas para diversificar a economia

Ante esta situação, os comerciantes apresentam demandas à administração municipal de Sebastián Remesowski focadas em avanços do parque industrial e garantias jurídicas para os investidores. O planejamento busca atrair atividades industriais que gerem dinamismo econômico para além das compras fronteiriças tradicionais.

Adicionalmente, prepara-se uma feira para as festividades de fim de ano, com o objetivo de estimular o consumo interno e ativar o movimento comercial durante este período.

Investimento brasileiro sem impacto imediato

O setor também destaca que a chegada de investidores brasileiros ainda não se traduziu em um impulso direto para o circuito comercial. Os investimentos desta procedência concentram-se em bairros fechados e aquisição de terras, sem gerar ainda fontes de emprego significativas no comércio. Desta maneira, o investimento imobiliário e a atividade comercial mostram dinâmicas distintas, enquanto persiste a dificuldade para sustentar volumes de vendas.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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