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Economia

Empresários apoiam novo plano fiscal, mas pedem controle de gastos

ADEC acompanha convergência fiscal do Governo, mas alerta sobre qualidade do gasto público

06/08/2026 07:45 4 min lectura 14 visualizações

Membros da Associação de Empresários Cristianos (ADEC) e referentes do setor importador realizaram ontem um conversatório em que também participou o titular do Ministério da Economia e Finanças (MEF), Oscar Lovera, junto com uma comitiva.

Na ocasião, Lovera apresentou aos empresários o novo plano de convergência fiscal do Governo, que aponta fechar com um déficit de 3,2% do produto interno bruto (PIB) este ano, passar a 3,9% em 2027 e retornar ao 1,5% estabelecido na Lei de Responsabilidade Fiscal somente para 2028.

A respeito, Jorge Figueredo, presidente da ADEC, sustentou que o grêmio acompanha essa mudança, já que se trata do caminho "correto" para transparentar as contas, especialmente com vistas a manter a classificação do país.

"Sem lugar a dúvidas, esse primeiro passo de gerar um maior grau de flexibilidade sobre nossas ações e o manejo econômico me parece correto e pragmático. Elevar o teto era o caminho para transparentar o nível de dívida que sim estávamos tendo e que eles já vinham manejando com as instituições que emitem suas classificações. E era muito importante manter isso", afirmou.

Não obstante, enfatizou que a partir disso deve-se traçar um plano de ação muito mais "realizável", e sugeriu ao Governo administrar corretamente o novo déficit, apontando para melhorar a qualidade do gasto público e garantir o cumprimento das demandas sociais.

"Vários sócios perguntaram sobre a qualidade do gasto, como vamos administrar esse déficit, como vamos cobrir as necessidades que hoje já existem e as demandas que a sociedade ainda não tem resolvidas. Caso contrário, pode se tornar insustentável", advertiu Figueredo.

A seu critério, um dos principais desafios é o Sistema de Pensões e Jubilações do setor público, mais conhecido como Caixa Fiscal, cujo déficit está levando uma parte importante da arrecadação tributária.

Lembrou a recente reforma do sistema, cujos frutos são quase nulos, e advertiu que o saldo negativo gera obstáculos para investir em infraestrutura, saúde e educação, setores que qualificou como os "três grandes déficits da sociedade". "É um problema que teremos para o futuro em um país com um percentual mínimo de pessoas que têm fundos para se aposentar no futuro e que hoje está sendo coberto com impostos", lamentou.

Embora tenha dito que o ministro não lhes mencionou sobre um plano para modificar de forma permanente a Lei de Responsabilidade Fiscal, igualmente defendeu a necessidade de que se mantenha a norma com o mesmo teto de 1,5% do PIB.

"Creio que isso deve se sustentar, mas sem dúvidas hoje estamos em uma situação em que precisávamos transparentar isso e creio que é o caminho correto, já que nos dá muito mais previsibilidade como país e também gera autoridade ao Governo. Então, a partir de um número real de dívida, gerar um plano de caixa muito mais realizável", instou.

Segundo disse, os sócios empresariais também manifestaram preocupação com os planos sociais no futuro, levando em conta o aumento das demandas sociais, assim como pelo tipo de câmbio, com um dólar que continua se desvalorizando. Sobre esse último ponto, explicou que o ministro lhes assegurou que, embora dependa da conjuntura internacional, já estão trabalhando para que os custos logísticos diminuam e os produtos paraguaios não percam competitividade.

"Agradecemos ao ministro por se aproximar do setor privado. Acreditamos que é muito importante não só um Ministério da Economia transparente, mas também que possa gerar previsibilidade e, sobretudo, que possa gerar autoridade sobre outras instituições, porque às vezes o clientelismo não só se encontra no Executivo, mas sobretudo pode se encontrar no Poder Legislativo, nos governos municipais, nas governanças, e é aí que nos afeta a todos. Na medida em que desperdiçamos, são menos guaraní..."

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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