Empresários apoiam Fretes e apresentam plano para conter déficit do IPS
Gremios empresariais propõem cinco pilares para fortalecer a sustentabilidade do sistema previdenciário paraguaio
Em conferência de imprensa realizada ontem, representantes de gremios empresariais e farmacêuticos expressaram seu apoio à gestão que vem sendo desenvolvida por Isaías Fretes no Instituto de Previsão Social.
Durante o ato, Julio Fernández, do Centro de Estudos Econômicos da União Industrial Paraguaia (UIP), apresentou um roteiro proposto para fortalecer a sustentabilidade do sistema de aposentadorias do IPS e estender sua solvência a longo prazo.
Segundo explicou durante a apresentação, o sistema de pensões tem um déficit anual próximo a USD 60 milhões. "Estamos acumulando já um déficit de 200 milhões de dólares no sistema de pensões. Acreditamos que há um esgotamento dos fundos", pontuou.
Fernández também citou três quebras na previsional que têm relação com a insolvência técnica, descapitalização e o déficit operativo.
PILARES. A proposta do setor empresarial está sustentada no que denominam cinco pilares baseados no cumprimento estatal, responsabilidade geracional, formalização laboral, industrialização e governança junto com blindagem institucional.
No primeiro pilar, a Lei nº 375/56 estabelece que o Estado deve contribuir com 1,5% sobre o montante dos salários tributáveis declarados pelos empregadores de forma anual. No entanto, esse compromisso não foi cumprido efetivamente ao longo do tempo, de acordo com o informado pelo IPS.
O Estado mantém uma dívida histórica com a previsional desde 1956 e que até a atualidade, em 2025, ascenderia aproximadamente a USD 668 milhões. Este ano estariam se somando quase USD 99 milhões.
Os empresários propõem que a partir de 2027, seja regularizada essa contribuição que corresponde a 1,5% sobre a massa salarial.
Propõem também que o total do adeudado não seja pago de uma só vez, mas que se transforme em um ativo financeiro vivo. Isto é, que o Estado transfira à previsional um 5% de juros anuais, o que descrevem como bônus perpétuo.
A entidade não ficará com esse dinheiro, mas deveria reaplicá-lo no sistema financeiro estimando-se um rendimento de 7,7%.
Se o Estado começar a pagar o 1,5% correspondente a partir de 2027 e essa contribuição for investida a 7,7%, para 2046 o IPS disporia de mais de USD 10.300 milhões.
Reafirmam que o mais importante é que esse fundo perpétuo seja blindado até o ano 2046, razão pela qual não deverão ser utilizados para pagar as aposentadorias atuais nem despesas administrativas.
No segundo pilar apontam que o Benefício Adicional Anual (BAA), o décimo terceiro dos aposentados não conta com uma fonte própria de financiamento.
Para essa situação, propõem uma contribuição de 12,5% sobre o décimo terceiro. A contribuição seria paga da seguinte forma: Ao trabalhador corresponderá 4% e ao empregador 8,5%.
Dessa maneira, dizem, estaria se corrigindo a falta de contrapartida nesse item. Além disso, geraria um ingresso de 8% a mais para a previsional.
Se essa contribuição for posta em vigência a partir do próximo ano, estimam que para 2046, a contribuição seria de USD 4.400 milhões.
Outra proposta com base no décimo terceiro é que os trabalhadores façam uma contribuição voluntária de 12,5% para assegurar esse pagamento no futuro ou não realizar essa contribuição e renunciar a esse pagamento extra em sua aposentadoria.
A terceira proposta do empresariado aponta para avançar na formalização laboral no país. Segundo as estatísticas da Pesquisa Permanente de Domicílios Contínua (EPHC), há 160.000 autônomos e 600.000 assalariados privados.
Essas quase 700.000 pessoas podem ser possíveis contribuintes para a entidade previsional, de acordo com seu posicionamento. Estimam que essa cobertura passará de 27,4% em 2024 para 41,8% em 2075, acima do cenário sem reforma, que prevê uma cobertura de 36,4% para esse ano. Isso se traduziria em aproximadamente 282.000 contribuintes a mais para esse ano.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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