Efemérides paraguaio-uruguaias
Relações históricas entre os dois países marcadas por reconhecimento de independência, hérois compartilhados e símbolos nacionais
As relações do Paraguai e da República Oriental do Uruguai foram sempre frutíferas; este ano, especialmente, comemoram-se efemérides de ampla importância, que dão vida singular a estes vínculos.
O 5 de dezembro de 1845, o Governo uruguaio reconheceu a independência formal da República paraguaia. Independência declarada "urbi et orbe", o 25 de novembro de 1842, pelo Governo consular paraguaio. Este feliz ato político e soberano de nossa Independência pelo Uruguai é o terceiro em ocorrer (Bolívia e Brasil, antes) e logo, quase simultaneamente, Venezuela e Áustria o fizeram. Este reconhecimento de nossa independência chegou a Assunção nos primeiros meses de 1846.
O 15 de janeiro de 1846 chegava a Assunção o primeiro navio a vapor (movido a roda), já não apenas por velas, e portanto mais rápido, que permitia reduzir sobremaneira a duração de uma viagem até a distante Assunção. Neste navio a vapor chegava José María Artigas, filho do prócer oriental José Gervasio Artigas, radicado por asilo desde 1820 no Paraguai, que havia sido recebido pelo ditador José Gaspar Rodríguez de Francia.
Nunca voltou este herói americano a sua pátria de origem nem o fez ante o convite que lhe fizesse seu filho, pelo avançado conceito que se tinha do mesmo na República Oriental. Como se disse, Artigas resolveu morrer no Paraguai, o que ao final ocorre em 1850 sendo enterrado no Cemitério da Recoleta, de onde será exumado a pedido do Governo uruguaio para ser trasladado em 1856 a sua terra.
Enquanto isso, esse grande presidente don Carlos Antonio López, que o era do Paraguai desde 1844, buscava ter uma música formal, que identificasse o país em seu processo de soberania a nível mundial, e lhe faltava um hino e a simbologia musical do mesmo.
Escreveu-se primeiro ao autor do hino argentino don Vicente Fidel López, quem cobrou um preço elevado, para a apertada economia que nesse nível denotava a presidência de Carlos Antonio López.
Ciente deste fato, o poeta oriental don Francisco Acuña de Figueroa ofereceu ao Governo paraguaio fazer o hino sem custo algum. Cabe mencionar que Acuña de Figueroa, poeta romântico, era autor do hino do Uruguai.
Para receber esta obra, se precisou da presença em Montevidéu dos agentes políticos-diplomáticos paraguaios, don Bernardo Jovellanos e Atanasio González, para obter tão valioso acervo de nossa simbologia pátria. Cabe mencionar que posteriormente Don Carlos enviou ao autor deste hino vários fardos de erva nacional, como forma de compensação pela obra realizada.
Embora seja certo que apenas em 1853 foi publicada a letra do hino, no periódico oficial "El Semanario de Avisos y Conocimientos Útiles", foi este usado como música oficial na Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), onde foi cantado como hino oficial.
Concluída a Guerra Grande ordenou-se com vários autores o tom de sua música, e ela, com variantes, até que em 1934 o grande Remberto Giménez lhe deu o tom formal e oficial que tem desde então.
Em 1883, o Governo uruguaio subscreve com o paraguaio o Tratado de Paz e condonação de toda dívida por parte do Paraguai na Guerra de (1864-1870). Em 1885, devolvem-nos os troféus de guerra.
O Governo paraguaio doa em 1901 um hectare de terreno, no Jardim Botânico, que logo se ampliou a 3 hectares no total, onde em poucos anos o Uruguai levantou no local, justamente onde esteve o refúgio amistoso último do herói Artigas.
No local levantou-se uma escola modelo, que leva o nome de Artigas, justamente na entrada do Botânico. A escola começou suas aulas em 1924, a construção financiada totalmente pelo governo uruguaio, assim como o pessoal docente, foi coberto plenamente por professores uruguaios, com um amplo resultado escolar e educativo.
Mas no ano de 1926, foi inaugurada oficialmente a escola.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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