Drama que exige respostas
Salta o alarme e os órgãos correspondentes ativam os protocolos. Há temor, há expectativas e se desvanece o panorama da relativa tranquilidade que vive a comunidade educativa.
A sociedade se dedica às análises correspondentes, busca-se culpados, bodes expiatórios e tudo derivada em poucos resultados para a prevenção.
Os últimos desafios virtuais em torno de ameaças nos centros educacionais, onde crianças e adolescentes convergem com o fim de avançar no estudo e nos conhecimentos, põem de manifesto a rotina fragmentada e a doença social que avança como padecimento de um mundo deteriorado.
Não é apenas no Paraguai; acontece em todo o planeta e responde a um sistema que oprime cada vez com mais força, a uma trama na qual o menos importante é o acompanhamento na evolução da infância para as próximas etapas, em uma visão rachada sobre a transcendência da comunidade para conter os mais pequenos frente ao bombardeio de informação e até de ameaças.
Advertências registradas nas paredes dos sanitários, expectativas de hipotéticos tiroteios e sinais que infundem temor no ecossistema educativo obrigam à reflexão indefectível em torno à segurança em que devem desenrolar-se as atividades próprias do processo de ensino-aprendizagem.
A escola e o colégio fazem parte do biorritmo social e não estão isentos dos embates daquelas forças invisíveis que buscam submissão e distorção com respeito ao que se busca como bem comum.
Ao viajar em direção às causas primeiras que motivam condutas destrutivas e pensamento de dano desde a mente de uma criança ou adolescente –já muito internalizadas em âmbitos como o norte-americano, onde as armas são uma extensão quase natural do organismo humano–, assistimos às culpas atávicas sobre esse labirinto da solidão e da atomização que sofre a faixa etária mais vulnerável, ao enfrentar-se um mundo quase já desquiciado.
Descobrir o mundo. Desde as ópticas mais ou menos experimentadas, costuma-se jogar lenha à despreocupação do adolescente por encaminhar suas experiências para propósitos mais construtivos; fala-se de desorientação absoluta e pouco interesse em buscar soluções.
Nessa etapa da vida só abundam o torvelinho da energia, das ânsias de descobrir e abrir-se ao mundo, de experimentar.
O mundo adulto, abatido pelos problemas de bolso e pela alienação, navega como pode para chegar ao fim do mês, trata de sustentar a trama e a maioria das vezes levanta a bandeira da rendição, oprimido pelo sistema.
Isto é caldo de cultura para o aparecimento de fenômenos pós-modernos de violência extrema, com escaladas que já se visualizavam em épocas anteriores, mas que cobra mais vigor com a desprotección quase absoluta da infância e adolescência.
Educação libertadora. O Estado tenta pouco e nada por conter o dilúvio de atrocidades cotidianas que sofrem crianças, submetidas e abusadas por seu mesmo entorno.
Uma mão amiga, palavras de afeto e orientação adequada são estranhezas e até luxos em meio ao caos e às acusações mútuas, cenário crispado que envolve com força a quem deveria receber educação libertadora, para formar critérios pessoais e saber desenrolar-se na vida.
As prioridades entre os tomadores de decisão e da gente em geral passam muito longe desta problemática.
Não se atacam as causas e tudo continua como se o drama escolar não fosse ponto nevrálgico que determinará a estrutura social do futuro imediato e das próximas gerações.
É inexistente alguma mudança de rumo e a ameaça fica latente, não apenas registrada em uma parede do banheiro escolar, senão no imaginário coletivo, ainda sem capacidade de reação.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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