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Economia

Dólar toca novo piso de G. 5.880 e levantam maior intervenção do BCP

29/09/2026 16:45 4 min lectura 28 visualizações

O analista econômico Amílcar Ferreira explicou que o comportamento do dólar no Paraguai responde a fatores internos que estão gerando uma importante oferta de divisas; entre eles mencionou o aumento do investimento estrangeiro direto, o bom desempenho da produção agrícola, as remessas de paraguaios no exterior, a emissão internacional de títulos em guaraníes e a entrada de estrangeiros com capacidade de investimento.

"Bem, é por grande entrada de divisas que o Paraguai está tendo há vários dias", apontou Ferreira durante uma entrevista com Monumental 1080 AM.

Segundo explicou, o investimento estrangeiro direto, que tinha uma média de cerca de USD 300 milhões anuais até 2024, passou a superar USD 1.000 milhões ao ano a partir da obtenção do grau de investimento. A isso se somou o desempenho agrícola de 2026. A campanha de soja 2025-2026, que terminou em maio, alcançou pela primeira vez uma produção de 11 milhões de toneladas, o que também significou maior entrada de divisas.

Ferreira acrescentou as remessas dos paraguaios residentes no exterior, que se encontram acima de USD 500 milhões anualizados, e a emissão realizada pelo Paraguai de um título global em moeda local.

"Este ano o Paraguai pela primeira vez realizou a emissão de um título internacional, um título global, mas em moeda local. 1.000 milhões de dólares em fevereiro deste ano", explicou.

O mecanismo também gera uma entrada de dólares no mercado local, porque os investidores estrangeiros devem ingressar divisas, convertê-las a guaraníes e utilizar esses recursos para adquirir os títulos.

A este fluxo se soma, segundo o analista, o aumento da chegada de estrangeiros ao país. Apontou que o número anualizado alcança atualmente cerca de 100.000 pessoas e que se trata de uma migração que, em boa medida, tem capacidade econômica para investir, adquirir imóveis ou iniciar negócios.

"A soma de tudo isso faz com que haja grande afluência de dólares no Paraguai e isso pressiona o tipo de câmbio também diante de certa ausência do Banco Central que deixa que a queda continue", afirmou.

Diante da questão sobre se o Banco Central deveria intervir frente à queda do dólar, Ferreira sustentou que a instituição não deveria fixar o tipo de câmbio, mas sim participar para evitar movimentos bruscos.

"Eu acho que o Banco Central tem uma responsabilidade no sentido de cuidar da economia, repito, não de fixar um tipo de câmbio, mas sim de ter uma presença no mercado, de tal maneira a suavizar esses movimentos", afirmou.

Ferreira lembrou que o mercado cambial paraguaio movimenta cerca de USD 35 milhões por dia e que o BCP conta com reservas superiores a USD 10.000 milhões. Nesse contexto, considerou que a instituição tem capacidade para intervir e moderar as variações.

O analista também apontou que o Paraguai tem uma economia bimonetária, porque uma parte importante dos depósitos do sistema financeiro está denominada em dólares e outra em guaraníes.

"Então, viver em uma economia de tipo de câmbio livre sempre significa que o tipo de câmbio vai se situar de acordo com o que seja a oferta e a demanda, mas ao mesmo tempo acho que há que cuidar para que as mudanças de posição de um tipo de câmbio a outro sejam suaves", sustentou.

Ferreira também levantou que a autoridade monetária poderia aproveitar o atual cenário de abundância de divisas para aumentar suas reservas internacionais mediante compras de dólares.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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