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Economia

Dólar atinge nova mínima de G. 5.880 impulsionado por maior entrada de divisas

29/09/2026 17:45 3 min lectura 47 visualizações

Fatores que impulsionam a apreciação do guaraní

O analista econômico Amílcar Ferreira explicou que o comportamento do dólar no Paraguai responde a fatores internos que geram uma importante oferta de divisas. Entre os principais mencionou o aumento do investimento estrangeiro direto, o desempenho da produção agrícola, as remessas de paraguaios residentes no exterior, a emissão internacional de bônus em guaraníes e a entrada de estrangeiros com capacidade de investimento.

Segundo Ferreira, o investimento estrangeiro direto experimentou um crescimento significativo, passando de uma média de cerca de USD 300 milhões anuais até 2024 a superar USD 1.000 milhões ao ano a partir da obtenção do grau de investimento.

Desempenho agrícola e remessas

O setor agrícola também contribui para a maior entrada de divisas. A safra de soja 2025-2026, que terminou em maio, atingiu pela primeira vez uma produção de 11 milhões de toneladas, gerando um fluxo adicional de dólares para o país.

As remessas de paraguaios residentes no exterior representam outro componente importante, situando-se acima de USD 500 milhões anualizados.

Emissão de bônus em moeda local

O Paraguai realizou pela primeira vez a emissão de um bônus internacional denominado em guaraní. Em fevereiro deste ano, foram colocados 1.000 milhões de dólares mediante este mecanismo. Este processo gera entrada de dólares ao mercado local, devido a que os investidores estrangeiros devem ingressar divisas, convertê-las a guaraníes e utilizar esses recursos para adquirir os bônus.

Aumento da chegada de estrangeiros

A chegada de estrangeiros ao país também contribui ao fluxo de divisas. O número anualizado atinge atualmente cerca de 100.000 pessoas, em sua maioria com capacidade econômica para investir, adquirir imóveis ou iniciar negócios.

"A soma de tudo isso faz com que haja uma grande afluência de dólares no Paraguai e isso pressiona o tipo de câmbio também ante uma certa ausência do Banco Central que deixa que a queda continue", afirmou Ferreira.

Propostas para o Banco Central

Ante a consulta sobre se a autoridade monetária deveria intervir frente à queda do dólar, Ferreira sustentou que o Banco Central não deveria fixar o tipo de câmbio, mas sim participar para evitar movimentos bruscos.

"Eu acredito que o Banco Central tem uma responsabilidade no sentido de cuidar da economia, não de fixar um tipo de câmbio, mas sim de ter uma presença no mercado, de tal maneira a suavizar esses movimentos", salientou.

O analista recordou que o mercado cambial paraguaio move cerca de USD 35 milhões por dia, enquanto o Banco Central conta com reservas superiores a USD 10.000 milhões. Nesse contexto, considerou que a instituição possui capacidade suficiente para intervenir e moderar as variações.

Considerações sobre a economia bimonetária

Ferreira salientou que o Paraguai tem uma economia bimonetária, devido a que uma parte importante dos depósitos do sistema financeiro está denominada em dólares e outra em guaraníes.

"Em uma economia de livre tipo de câmbio, o tipo de câmbio se situará de acordo com a oferta e a demanda, mas é preciso cuidar que as mudanças de posição sejam suaves", sustentou.

O analista também levantou que a autoridade monetária poderia aproveitar o atual cenário de abundância de divisas para aumentar suas reservas internacionais mediante compras de dólares.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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