Do chatarrice conceitual ao sábio senso comum
Aqui só há que ver como a obsessão pela titulação do diploma deixa por terra o amor ao conhecimento e à ética, a fragmentação das relações educativas básicas, especialmente a do docente com o aluno e seus pais, protagonistas reais da comunidade educativa, estão causando estragos no desenvolvimento moral dos estudantes, os quais se veem presos em lutas de poderes de adultos infantilizados. Também se pode ouvir gente sem formação específica em educação pontificar disparates e fazer campanhas emotivistas que ocultam ideologias danosas desde seus postos de poder, aos quais por o visto chegam sem uma elementar compreensão leitora.
Mas inclusive a falta de formação intelectual formal não é desculpa para o cretinismo cívico, já que é compensatória a experiência e o uso do senso comum. Qualquer avó paraguaia compreende mais a realidade que os tecnicistas que só repetem clichês e palavras talismã para colar nelas suas ideias enlatadas. É o lixo mental que vêm nos jogar de fora em troca de supostas ajudas que não são tais, aqueles que o descartam para seus filhos. É como se no país das verduras e das proteínas nos impusessem arruinar nossas colheitas e a criação de vacas, para nos obrigar a comprar comida processada e proteína sintética. Claro, uma comida que não dão aos seus filhos.
E o mais triste é ver a submissão dos que se arrogam a reitoria de uma educação que hoje adoece a mente e o coração antes de desenvolvê-las com retidão de intenção.
Estamos em uma crise educativa grande. Se vê na formação docente, se vê na pressão burocrática estatal a que são submetidos, os jovens estão intelectualmente famélicos e moralmente enfraquecidos pela falta de alimentos educativos saudáveis para aquelas dimensões de seu ser que são as mais específicas da pessoa, tais como a inteligência, a vontade, a memória e a liberdade responsável.
Se queremos nos desenvolver como país e salvar esta geração de meninos tão talentosos que temos, devemos os adultos nos libertar do complexo de inferioridade que nos faz rejeitar a comida saudável de nossa tradição educativa, a qual une a lógica ao conhecimento e une a formação de hábitos de caráter à ética, enriquecendo todas as dimensões pessoais em uma verdadeira integralidade.
Aqui o problema não é material, é antropológico. Que visão temos sobre os paraguaios que formamos e que queremos formar? Sem raiz não há árvore que se sustente nas tempestades desta época convulsionada.
O dizia o Doutor Cano Montanía esta semana no Congresso de Filosofia Cristã: a educação não pode se limitar a soma de disciplinas ou destrezas independentes. Se necessita uma concepção unitária do ser humano que guie o planejamento e execução dos programas e métodos. E esta concepção antropológica já existe em nosso acervo cultural, não há que inventar nada, senão ser coerentes com esta verdade. Sabermos pessoa (com dimensões racionais, corporais, relacionais, espirituais, e com uma dignidade única) revela a beleza e magnitude da tarefa educativa, e nos deve servir de guia e sustento ante esta magna obra.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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