Dívida pública do Paraguai atinge USD 22.208,3 milhões, equivalente a 34,8% do PIB
Nível de endividamento público
Conforme os dados do Ministério da Economia e Finanças (MEF), a dívida pública do Paraguai alcançou USD 22.208,3 milhões no mês de julho, representando 34,8% do PIB. Este nível é considerado manejável e situa-se abaixo dos indicadores de países da região, embora continue com uma tendência de alta sustentada.
O endividamento total ao sétimo mês registrou um incremento mensal de USD 261,7 milhões ao comparar-se com os USD 21.946,6 milhões de junho. Em relação ao encerramento de 2025, a dívida cresceu USD 1.760,4 milhões.
Composição da dívida
A estrutura do endividamento mostra que 82,8% do total concentra-se em dívida externa, equivalente a USD 18.397,8 milhões em compromissos com organismos internacionais. Os 17,2% restantes, ou seja, USD 3.810,5 milhões, correspondem a dívida interna.
Ao desagregar a dívida externa, a maior proporção está composta por bônus internacionais, que representam 40,9% do total. Seguem-se os empréstimos de organismos multilaterais, com 38,7%, totalizando USD 8.594,2 milhões. Os bônus internos constituem 13,6% do endividamento total, registrando um ligeiro crescimento em relação ao mês anterior após a segunda emissão no mercado interno de G. 974.350 milhões, aproximadamente USD 162,3 milhões.
Respeitando às taxas de juros, 66,1% da dívida está composta por taxas fixas, enquanto 33,9% restantes correspondem a taxas variáveis.
Serviço da dívida
O MEF reportou uma importante queda no serviço da dívida durante julho, quando as transferências totalizaram USD 39,6 milhões. Entre fevereiro e junho, os pagamentos superavam USD 100 milhões, representando uma diminuição de 66% em relação a esses períodos.
Com a queda sustentada do dólar, o serviço da dívida tem apresentado uma tendência decrescente. Esta projeção reflete-se no Orçamento Geral da Nação 2027, que contempla destinar G. 13,1 bilhões (USD 2.043,7 milhões à taxa de câmbio projetada), representando uma redução de 4% em relação aos G. 13,7 bilhões (USD 2.214 milhões) aprovados para 2026.
A principal diminuição registrar-se-ia no pagamento de juros e capital de dívida externa. Contudo, observam-se aumentos de 11% nos juros de dívida interna e de 23% nas amortizações de dívida interna.
Projeções e novas dívidas
Para o próximo ano espera-se um aumento no endividamento geral, com projeções de mais de USD 2.000 milhões em novas dívidas.
Análise de especialistas
Segundo Dionisio Borda, ex-ministro da Fazenda, um nível de dívida de 35% do PIB não representa um aspecto negativo quando existe capacidade de pagamento. Contudo, apontou que a principal problemática do país reside em sua pressão tributária, que situa-se em aproximadamente 11,2% do PIB, muito abaixo da média regional.
Borda expressou preocupação com o fato de o atual governo de Santiago Peña continuar apontando para novas emissões de bônus, superando as administrações anteriores em apenas três anos de gestão.
"Esta situação é preocupante porque ainda lhe restam dois anos. Uma consequência é o aumento do déficit fiscal; para este ano seria de 3,2% do PIB, para 2027, 3,9%; para 2028, 1,5% do PIB, que dificilmente se cumprirão, por uma parte, porque a receita fiscal não consegue se recuperar", indicou o economista.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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