Deve-se cortar gastos desnecessários e também os privilégios
Quando se fala do Orçamento, os especialistas frequentemente referem-se a duas questões fundamentais. Uma é a eliminação dos gastos superfluos e a outra é melhorar a qualidade do gasto público.
Infelizmente, a cada ano ambas as recomendações são deixadas de lado. E são precisamente aqueles que estudam, retoques e aprovam o Orçamento a cada ano quem têm em suas mãos eliminar os gastos desnecessários, os privilégios e elevar a qualidade do gasto.
O Congresso Nacional acumulou privilégios ao longo dos anos. O primeiro deles é a impunidade que possuem deputados e senadores quando faltam às sessões, o único dia da semana em que devem se apresentar e trabalhar, que é de fato para o que foram eleitos. Tal privilégio não o possui nenhum trabalhador no país, que diferentemente dos parlamentares, se faltam não recebem ou se chegam atrasados sofrem descontos. Este é verdadeiro dilema, pois devem ser os mesmos parlamentares quem decidam impor medidas para limitar e punir as ausências às sessões.
A recente Greve Nacional de Médicos expôs, igualmente, outra faceta da hipocrisia da classe política. Enquanto, por um lado, respondiam aos trabalhadores da saúde que não havia recursos para satisfazer seus reclamos, no Congresso continuavam recebendo seus rendimentos de mais de G. 37.000.000, montante ao qual tinham chegado dois anos antes em função do aumento que se presentearam.
No meio daqueles dias agitados, igualmente, houve um velado insulto por parte do presidente do Congresso Nacional aos médicos do país, quando disse:
"Ser médico é um apostolado", ao se referir às renúncias em massa dos profissionais.
Pareceu esquecer o senador Basilio Bachi Núñez, que também é médico ainda que não exerça, que entre 2025 e 2026, tinha se autoatribuído uma milionária bonificação de G. 21.100.950 desde março de 2025, com o qual chegou a uma remuneração mensal de G. 63.302.850, o que duplicava o que ganha inclusive o presidente da República.
Voltando ao PGN 2027 é imperativo que se façam cortes dos gastos desnecessários e, sobretudo, dos privilégios.
Um deles contempla G. 39.899.800.000 para serviços de medicina prepaga e de saúde do Poder Legislativo, equivalentes a uns USD 6,2 milhões à taxa atual, e ao detalhar montantes observa-se que algumas parcelas inclusive registram incrementos com respeito ao orçamento vigente.
Para a Câmara de Deputados, prevê-se destinar G. 19.848 milhões, uns USD 3,3 milhões ao seguro médico privado, quase G. 948 milhões a mais do que o orçamentado atualmente, e para o Senado projeta-se gastar G. 13.350 milhões, ao redor de USD 2,2 milhões, o que representa um aumento de G. 441 milhões.
Por outro lado, o projeto de Orçamento inclui que o Poder Legislativo aumentaria em um 20,7% o pagamento de horas extras aos funcionários. A diferença de G. 800 milhões, USD 123.877 à taxa estimada pelo Ministério da Economia, se dá em um contexto de crise sanitária e, sobretudo, de déficit do projeto do Orçamento Geral de 3,9%, como consequência de dívidas com construtoras e farmacêuticas.
Precisamente, com um orçamento que não fecha o Congresso prevê para 2027 destinar 13.768 milhões, uns USD 2,1 milhões para os funcionários que tenham cargos de responsabilidade, no marco do escalafão do pessoal. Segundo o presidente do Congresso, Basilio Bachi Núñez, o escalafão substitui o gasto de representação como resultado de uma reorganização e reestruturação da instituição.
A classe política está demorando em ajustar sua realidade à que vive a grande maioria do país; por isso, não veem que a situação é insustentável, e não devem abusar da paciência do povo, ostentando seus privilégios, que além disso se sustentam com o sacrifício da classe trabalhadora.
É hora pois de que se cortem os privilégios e os gastos desnecessários e que o gasto e o investimento sejam orientados para o bem comum e para o desenvolvimento do país.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.
Sonhar com um novo coração
IA: Um monstro no bolso?