Despem o Indio Solari na Argentina: "Foi um músico para o povo"
"Foi o único que pôde se rebelar contra todo esse sistema e que pôde ser do povo. Foi um músico para o povo", afirmou à EFE Nair Farías, uma de suas seguidoras, durante a despedida do artista Carlos Indio Solari.
Mais de sete horas após a abertura do polideportivo José María Gatica, na localidade de Buenos Aires, a fila para entrar ultrapassava os sete quilômetros de extensão.
À medida que avançava a tarde, milhares de pessoas continuavam concentradas nas ruas que cercavam o prédio, onde grupos de amigos e famílias inteiras compartilhavam canções, bandeiras e recordações do líder da banda Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota.
Enquanto a fila avançava lentamente, bandas tributo interpretavam canções do repertório de Los Redonditos e mantinham vivo o clima da chamada "missa ricotera", o fenômeno cultural que durante décadas acompanhou cada apresentação do músico.
A convocação reuniu além disso seguidores chegados de distintos pontos do país. Entre eles estava Karil Alarcón, que viajou desde a província nortenha de Salta, a quase 1500 quilômetros de Avellaneda.
"Viemos porque sabíamos que esta era a última missa do nosso querido Indio. Não podíamos não estar aqui. É inexplicável o que se sente, a dor. Me tremo o corpo. Não consigo acreditar. O Indio é infinito", disse Alarcón à EFE.
Para Gonzalo Vega, outro dos assistentes, a despedida representava a continuidade de uma comunidade construída ao redor da obra do cantor.
"Isto é uma 'missa ricotera' e sempre vai perdurar. Aqui na Argentina não há outra coisa mais grande que isto. Se nos foi o pai do rock, mas nos deixou essa música, a alegria, a união e a gente. O Indio nunca vai morrer", sublinhou Vega.
Martín Faguaga, que viajou desde a cidade costeira de Mar del Plata -a mais de 400 quilômetros -, assegurou à EFE sobre o artista: "Soube abordar um montão de situações, fala ao de cima, fala ao do meio e fala ao de baixo. Os que vimos mais de baixo nos ensinou muitas coisas. Vim para lhe dizer obrigado".
Um dos momentos mais emotivos da jornada foi a entrada na capela ardente de referentes de organismos de direitos humanos, entre eles integrantes de H.I.J.O.S., Mães e Avós da Praça de Maio, que deixaram sobre o caixão três lenços brancos, símbolo da luta pela memória, a verdade e a justiça na Argentina.
A jornada transcorria sem incidentes e sob um amplo operativo de segurança e assistência sanitária desdobrado pelas autoridades bonaerenses.
O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, destacou -em uma entrevista com o canal C5N- que a despedida se desenvolvia "em calma" e qualificou a convocação como "algo muito forte".
A família do músico havia antecipado que a despedida se estenderia "até que fosse necessário" para permitir que todos os seguidores pudessem lhe dar o último adeus.
Solari faleceu esta sexta-feira aos 77 anos por causa de um acidente cerebrovascular (ACV) hemorrágico, segundo determinaram os resultados preliminares da autópsia.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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