Denunciam que persiste suposto esquema de venda irregular de terras municipais
O esquema que supostamente afetava ocupantes precários de Asunción operava em zonas com terrenos de alto valor imobiliário, como Mburucuyá, Las Lomas e Molas López, entre outros. Os funcionários municipais, valendo-se de manipulações dos processos administrativos e pressão sobre os ocupantes, favoreciam compradores de alto poder aquisitivo interessados nesses espaços. Isso segundo revelaram a Última Hora funcionários de distintas direções da Municipalidade durante o período da intervenção, a cargo de Carlos Pereira.
O processo iniciava-se identificando os terrenos. Quando se encontrava o objetivo, desde a Comuna enviavam-se notificações nas quais se outorgava aos ocupantes um prazo de 24 horas para apresentar documentos que comprovassem sua ocupação ou os pagamentos realizados. Isso sob ameaça de desalojo.
Ante a falta de recursos para regularizar sua situação, os ocupantes supostamente eram pressionados a "vender" seus direitos. Por sua parte, o comprador interessado, que não figurava inicialmente nas gestões, atuava supostamente através de laranjas.
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Os funcionários municipais, que sabem que se deve seguir um processo administrativo nas direções de Cadastro, Área Social, Assessoria Jurídica e Junta Municipal, operavam supostamente para "contornar" toda essa gestão administrativa, a fim de favorecer compradores de famílias abastadas.
Deliberadamente, os funcionários evitavam que o documento passasse pela Área Social, em que se deve verificar a situação ou necessidade dos ocupantes. Assim, a gestão passava rapidamente entre Cadastro e a Assessoria Jurídica, que supostamente emitia um parecer favorável que era remetido diretamente à Junta para sua aprovação final.
Em muitos casos, os envolvidos nessas operações repartiam parte do dinheiro obtido com o esquema, o qual configurava supostamente outra "arrecadação paralela", segundo os funcionários que informaram sobre essa situação.
Na passada sessão da Junta Municipal, que ficou sem quórum pela ausência da maioria dos vereadores, deveria ser tratado um parecer da Comissão de Fazenda e Orçamento através do qual se autorizava a intendência a realizar a "escritura translativa de domínio" sobre um terreno localizado no distrito Santíssima Trindade, no bairro Cañada do Ybyray.
Silvana Vega, que se encontrava vivendo no lugar há mais de 20 anos, informou a Última Hora que foi desalojada do terreno apesar de já ter iniciado os correspondentes trâmites de regularização.
Segundo um documento apresentado à Junta Municipal por seu advogado, Florencio Gómez, Vega nunca assinou a cessão de direitos do terreno em questão. Além disso, o escrito expõe outras supostas irregularidades que as autoridades municipais teriam deixado passar despercebidas para aprovar a venda do local.
"Como pôde chegar a essa instância de que sem minha assinatura já se outorgue? (...) O que a uma pessoa normal nos custa 5, 10 anos chegar a um arrendamento ou chegar a uma titulação, uma compra de terreno, a eles em menos de um ano já estão conseguindo tudo. Ou seja, se aí não há dinheiro envolvido, não sei o que pode haver", questionou Vega em contato com este jornal.
No escrito de seu advogado, também se aponta a uma retenção "deliberada" e "dolosa" do expediente de Vega na Direção de Cadastro. O advogado afirma que o expediente esteve "sob chave" e lhe foi negado o acesso ao mesmo.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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