Da obrigação à cultura: o próximo passo da segurança elétrica no Paraguai
Da obrigação à cultura: o próximo passo da segurança elétrica no Paraguai
Uma década depois, o país conta com um marco normativo de segurança elétrica que antes não tinha e com uma ferramenta técnica renovada: a terceira edição da Norma Paraguaia de Instalações Elétricas de Baixa Tensão. Quanto se avançou e o que falta para que aqueles números mudem? Para respondê-lo, o Eng. González percorre o caminho percorrido e o desafio que fica por diante.
«Primeiro foi necessário criar as regras; depois, desenvolver os mecanismos para aplicá-las», resumiu González. «Agora o desafio é que essas regras cheguem efetivamente a cada instalação».
Um panorama que exigia uma lei
Os antecedentes do projeto que deu lugar à Lei nº 5668/2016 descreviam um panorama preocupante. Sua exposição de motivos mencionava 383 mortes por eletrocussão em instalações elétricas de baixa tensão entre 2009 e 2012, segundo estatísticas atribuídas ao Departamento de Estatística da Polícia Nacional, e recolhia uma referência do Corpo de Bombeiros Voluntários do Paraguai segundo a qual 90% dos incêndios registrados em edificações tinha origem elétrica.
«Atrás de cada número existe uma pessoa e uma família afetada. A finalidade da segurança elétrica é precisamente evitar que uma condição de risco termine se convertendo em uma tragédia», assinalou González.
Entretanto, a magnitude do problema contrastava com sua escassa visibilidade. Enquanto outros riscos, como os acidentes de trânsito ou os afogamentos, ocupam um lugar evidente na percepção pública, o risco elétrico nem sempre era reconhecido como uma ameaça para a vida.
Essa diferença entre a magnitude estatística e a percepção social ajuda também a compreender um dos grandes desafios da segurança elétrica. O risco de trânsito é visível nas ruas; o risco de afogamento resulta intuitivamente compreensível. O risco elétrico, em contrapartida, pode permanecer oculto atrás de uma parede, dentro de um painel ou em uma proteção inadequada durante anos, até que uma falha exponha suas consequências.
Um incêndio de origem elétrica pode começar em um condutor, uma conexão ou um painel, mas suas consequências raramente ficam ali: habitações, comercios ou indústrias perdidas, equipamentos e mercadorias destruídos, atividades interrompidas e, nos casos mais graves, pessoas lesionadas ou falecidas.
Dez anos de construção do marco legal
Até 2016, o Paraguai carecía de um marco legal específico para tornar efetivo, em matéria de segurança elétrica, o dever constitucional do Estado de proteger a integridade física das pessoas. «Existia o mandato constitucional, mas faltavam as ferramentas para aplicá-lo», explicou González.
Existiam normas técnicas, regulamentações e disposições vinculadas ao setor elétrico, mas não uma lei específica que organizasse de maneira integral a segurança nas instalações elétricas. Enquanto uma norma estabelece como deve ser feita corretamente uma instalação, uma lei converte a proteção das pessoas e dos bens em uma responsabilidade jurídica, determina quem deve cumpri-la e cria os mecanismos para verificá-la.
A Lei nº 5668/2016 veio a preencher esse vazio e estabeleceu o INTN como órgão regulador do sistema. «A lei significou uma mudança de paradigma», explicou González. «A segurança elétrica deixou de depender somente do que tecnicamente era recomendável e passou a contar com um marco jurídico específico que estabelece responsabilidades, controles e mecanismos de cumprimento».
Porém, uma lei dessa natureza não podia ser implementada de um dia para o outro. Era necessário regulamentá-la, certificar profissionais, formar inspetores, habilitar organismos de inspeção, regulamentar produtos e definir como se realizariam as verificações. Esse processo levou vários anos.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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