Da Europa ao mundo: Assim começou a história dos morcegos há 65 milhões de anos
A investigação também revela que a ecolocalização, assim como o voo propulsado, surgiu nos primórdios da evolução dos morcegos.
A investigação, liderada pela Universidade de St Andrews (Escócia) e publicada nesta quarta-feira na revista Nature, foi realizada por uma equipe internacional de 137 cientistas de 64 países que trabalham no consórcio Bat1K, uma iniciativa global dedicada à sequenciação dos genomas de todas as espécies de morcegos vivas.
Para realizar o trabalho, a equipe analisou 103 genomas que representam as 21 famílias de morcegos reconhecidas e combinou os dados com o estudo de 44 fóseis desses mamíferos.
Os pesquisadores descobriram que o mais provável é que os morcegos tenham se originado na Europa durante o Paleoceno tardio e seus descendentes se expandiram para a África. De lá, se diversificaram e se expandiram pela América, Ásia e Austrália, dando origem aos principais grupos de morcegos que se encontram hoje em dia em todo o mundo.
Esses resultados encerram décadas de debate científico e desmentem as hipóteses que propunham origens asiáticas, africanas ou norte-americanas para esses animais.
Com mais de 1.500 espécies distribuídas pelo mundo, os morcegos representam uma quinta parte de todos os mamíferos vivos e desempenham um papel vital na manutenção dos ecossistemas do planeta.
Além disso, muitas espécies apresentam uma notável resistência a doenças e vivem muito mais anos em proporção ao seu tamanho.
No entanto, apesar de terem sua biologia única e serem de grande importância ecológica, os cientistas desconheciam muitas questões sobre sua evolução.
A maioria dos morcegos — os únicos mamíferos capazes de voar com propulsão — se orienta e caça na escuridão guiando-se pelo som graças a duas características definidoras: o voo propulsado e a ecolocalização.
A análise do morcego fóssil Vielasia, que se encontra no ramo mais antigo da árvore genealógica dos morcegos, mostrou que a ecolocalização já havia evoluído perto do início da evolução dos morcegos.
Além disso, a análise dos fóseis e dos genomas revelou que o voo propulsado e a ecolocalização surgiram antes da diversificação dos morcegos modernos, o que poderia ajudar a explicar seu extraordinário sucesso evolutivo, segundo os autores.
Ao reconstruir computacionalmente o genoma do antigo ancestral do qual descendem todos os morcegos vivos, a equipe obteve uma visão da composição genética de um dos primeiros mamíferos voadores.
Esse recurso genômico criado para este estudo permitirá a outros cientistas investigar as mudanças genéticas que subjazem à extraordinária diversidade e adaptações dos morcegos, não apenas no voo ou na ecolocalização, mas também na longevidade e sua resistência a doenças.
"Combinamos a sequenciação de ADN de última geração com métodos computacionais para gerar e comparar esses genomas e identificar os genes que contêm", detalha o autor principal, o professor Michael Hiller, do Instituto de Pesquisa Senckenberg de Frankfurt.
No futuro, esse recurso genômico poderia fornecer informações valiosas à pesquisa humana sobre envelhecimento, imunidade e resistência a doenças.
"Os morcegos nos surpreendem constantemente. São um dos maiores experimentos da evolução" mas "esse extraordinário recurso genômico, fruto de anos de cooperação internacional no marco de Bat1K, nos permite finalmente compreender como evoluiu sua singular biologia", destaca a autora principal, Sonja Vernes, de St Andrews e cofundadora de Bat1K.
Além de estabelecer uma possível origem evolutiva para os morcegos, o estudo resolve vários debates de longa data sobre as relações entre as famílias de morcegos.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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