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Economia

Da Europa alertam que o retorno da carne brasileira poderia demorar até dois anos

01/09/2026 12:45 3 min lectura 243 visualizações

A suspensão das importações de carne bovina e aviar do Brasil pela União Europeia, que começará a vigorar nesta quinta-feira, 3 de setembro, gera preocupação dentro do mercado internacional e abre interrogantes sobre quanto tempo poderia permanecer fechado um dos destinos de maior valor para a produção brasileira.

Desde a Europa, Tomás Friedmann, correspondente de Valor Agro, explicou que a medida alcança não somente a carne bovina e aviar, mas também ovos e mel, depois que o Brasil não conseguiu apresentar dentro dos prazos estabelecidos as garantias suficientes para demonstrar o cumprimento das novas exigências europeias vinculadas ao uso de antimicrobianos. "Brasil fez esforços, mas não conseguiu apresentar nenhum documento sério que permita assegurar que esses temas foram superados", explicou Friedmann durante uma entrevista com Valor Agro.

O correspondente destacou que o impacto comercial é significativo. Brasil coloca aproximadamente 100.000 toneladas anuais de carne bovina na União Europeia e se posiciona entre os principais fornecedores do bloco, além de contar com uma participação importante no mercado aviar, com embarques que rondam as 265.000 toneladas por ano.

Diante deste cenário, o governo brasileiro iniciou conversações no mais alto nível com as autoridades europeias. Segundo comentou Friedmann, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve contatos com a presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para transmitir a preocupação do país pelas consequências da medida sobre dois setores estratégicos como a agricultura e a pecuária.

"A União Europeia disse que quer que Brasil volte a enviar carne, mas não pode ignorar esses regulamentos que são tão rigorosos e tão concretos", assinalou.

Dentro da suspensão, porém, Friedmann marcou uma diferença importante entre as distintas cadeias produtivas. Em aves, ovos e mel existe atualmente uma missão técnica europeia no Brasil realizando auditorias, por isso, se os resultados forem satisfatórios, esses mercados poderiam encontrar uma solução em um período relativamente curto. "A situação é diferente e, se as condições estão dadas, para esses setores as medidas poderiam ser levantadas em breve tempo, talvez em dois ou três meses", comentou.

Para a carne bovina, em contrapartida, o cenário aparece bastante mais complexo. A exigência europeia estabelece que deve ser garantida a ausência de determinados antimicrobianos e antibióticos proibidos durante todo o ciclo produtivo do animal, desde seu nascimento até o abate.

Segundo a informação que maneja Friedmann desde a Europa, os técnicos europeus teriam transmitido ao Brasil que o processo de adequação poderia se estender consideravelmente. "Essas medidas podem demorar sete ou oito meses, um ano e até dois anos de suspensão, porque o ciclo do gado tem que ser desde o começo. A utilização zero..."

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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