Da dor às memórias: uma jornada pela Asunção dos anos 80
Uma casa localizada na rua Cerro Corá, no centro de Asunción durante os anos 50, representa um dos exemplos mais significativos da modernidade na arquitetura paraguaia e marca o início desta história.
Naquele lugar transcorreu a infância de Jorge Mendelzon, uma pessoa que transformou a dor de décadas em motor de distintas narrativas. Uma delas surge a partir das memórias desempoeiradas de um anuário colegial de 1984, há mais de quarenta anos, que resultou neste artigo.
MEMÓRIAS COM VALOR ANTROPOLÓGICO
O anuário, um livro de capa dura com 120 páginas, oferece uma janela para as memórias que hoje funcionam de maneira quase antropológica para conhecer o estilo de vida de jovens colegiais asuncenos de uma das instituições mais tradicionais da capital: o Colegio Internacional.
Com suas páginas amarelecidas pelo tempo, o documento preserva a memória de destacados educadores daquela época, como Mario Prono, a ginasta Zeneida Bozzano, o lendário Mister Wiley com sua moto Vespa, Mesié Oge de Morvil, a rigorosa professora Marta Ramos, Dominga Yanho e a atriz Margarita Chaparro. Todos eles compõem este canto de memórias plasmado em papel.
MARCAS E PATROCINADORES DE UMA ÉPOCA
As imagens dos jovens daqueles anos mostram detalhes da moda e da vida cotidiana: calças jeans pré-lavadas Cone, camisetas Splash, e fotografias tiradas em frente ao antigo local de empanadas Don Vito.
Os patrocinadores e negócios daquele então também ficam registrados no anuário: a loja, merceria e bazar Lo Mitá, as peças desportivas da marca Pony, os produtos de Dixie's, e anúncios publicitários de calculadoras científicas de bolso Casio FX 991, que simplificavam a resolução de problemas matemáticos que em épocas anteriores demandavam considerable tempo.
DA DOR PESSOAL AO RESGATE DE MEMÓRIAS
De maneira magistral, Mendelzon transformou nessas memórias colegiais o narrado em seu livro De pé. Palavras para sustentar a alma, onde aborda suas experiências pessoais. Os registros em preto e branco do anuário capturam a vida urbana de uma Asunción mais lenta e distinta.
Entre as imagens figuram alunos como José Krauch, Carlos Ramírez, Víctor Butletov e Jorge Miranda, acompanhados pela diagramação de Enrique Chamorro e Alejandro Dragotto. O anuário data de uma época em que a revelação de cada rolo fotográfico dependia de empresas como Rochester, Kodak ou Foto Guaraní, em tempos onde muitos confiavam em que todas as fotografias saíssem corretamente.
Essas histórias compõem hoje as pequenas grandes memórias urbanas de uma Asunción dos anos 80 que já não voltará, preservando em papel a essência de uma cidade e uma época definida.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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