Crimeia, anexada pela Rússia, declara "emergência" em meio a ataques da Ucrânia
Ucrânia intensificou seus ataques aéreos, que qualifica como justa retribuição pelos bombardeios quase diários da Rússia contra civis ucranianos e infraestruturas energéticas desde que Moscou lançou sua invasão em larga escala em fevereiro de 2022.
Decidiu-se "declarar uma situação de emergência em nível regional na República da Crimeia e na cidade de Sebastopol" por meio de decretos, declarou o governador imposto por Moscou, Serguéi Aksionov, em uma publicação no Telegram.
A situação de emergência permitirá "garantir o funcionamento estável de todos os setores", indicou.
Há várias semanas, o exército ucraniano empreendeu um bloqueio energético da Crimeia — controlada pela Rússia desde 2014 — com ataques a infraestruturas e caminhões-tanque que abastecem a península.
"Estamos fazendo tudo o que é possível para forçar a Rússia a pôr fim à guerra e restabelecer a justiça. E é a Crimeia que está no centro desta política de garantir a justiça", declarou o presidente ucraniano Volodímiro Zelenski nas redes sociais.
A Crimeia abriga numerosas bases militares russas e vem sendo utilizada como plataforma de lançamento crucial na guerra. "Hoje a Ucrânia está privando a Rússia desta plataforma de lançamento e encerra suas tentativas de normalizar a guerra", afirmou Zelenski.
As defesas antiaéreas russas derrubaram 660 drones ucranianos durante a noite, incluindo alguns sobre a capital, Moscou, e sobre a Crimeia anexada, indicou na sexta-feira o Ministério da Defesa, um dos números mais altos desde o início do conflito.
Em um comunicado publicado na quinta-feira, o governador Aksionov sinalizou que a Crimeia enfrenta "desafios" e que "a situação do combustível é a mais difícil".
"Não posso dizer exatamente quanto tempo levará nem tampouco posso explicar publicamente o plano de ação específico. Porém, estamos agindo", sinalizou.
Também admitiu que o exército russo não está sendo capaz de proteger totalmente a península.
"Infelizmente (...) não há sistemas de defesa aérea no mundo que sejam absolutamente perfeitos em termos de segurança e eficácia", apontou.
A Rússia apoderou-se da Crimeia em 2014, embora a imensa maioria dos países, incluindo muitos dos aliados de Moscou, não reconheça esta ação.
O território do mar Negro tem importância especial para o presidente russo Vladimir Putin, que qualificou a anexação como vitória histórica e destinou recursos à península.
A Ucrânia sustenta que a Crimeia é uma parte inalienável de seu território e que nunca a cederá formalmente.
Kiev ataca principalmente as instalações russas de processamento e exportação de petróleo, na tentativa de privar o Kremlin de uma fonte crucial de receitas para financiar o esforço bélico de Moscou.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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