Cota de carne bovina do Mercosul para a UE: sem acordo e negociação até setembro
O Mercosul se encaminha para uma etapa-chave em seu vínculo comercial com a União Europeia. A partir de 1º de maio começará a vigorar de forma provisória o acordo, com a ativação de benefícios tarifários e o início da distribuição de uma cota de 99.000 toneladas de carne bovina.
No entanto, a falta de consenso entre os países do bloco mantém aberta a negociação, com um prazo que se estenderia até setembro para definir a divisão definitiva.
O presidente da Federação de Associações Rurais do Mercosul, Jorge Andrés Rodríguez, advertiu que o processo segue sem uma definição clara e com fortes tensões internas. "Neste momento não há acordo", afirmou, ao mesmo tempo que assinalou que o Brasil teve um papel determinante na discussão.
Rodríguez explicou que o gigante sul-americano "saiu muito forte com a negociação", algo esperado por seu peso dentro do bloco e sua incidência no acordo com a União Europeia. Nesse contexto, a divisão da cota continua sendo um dos principais pontos de conflito.
O esquema em discussão contempla uma cota total de 99.000 toneladas de carne bovina, que inclui tanto cortes resfriados como congelados. Existe ainda um volume inicial, em torno de 2.600 toneladas, que ainda não tem destinação definida.
Um dos critérios sobre a mesa é o denominado past performance, que toma como referência as exportações históricas. Este mecanismo favoreceria principalmente Brasil e Argentina, o que gera resistência em outros países do bloco.
"Essa é parte da informação técnica, mas depois, na hora de negociar, a Chancelaria toma outras variáveis, muitas vezes políticas, que são as que preocupam", assinalou Rodríguez.
Paraguay tem proposto uma distribuição mais equitativa, inclusive com propostas próximas a 25% por país. No entanto, do Uruguay consideram que esse cenário é inviável.
"Isso é impossível", sustentou Rodríguez, que explicou que as diferenças respondem tanto ao peso histórico no comércio europeu como à estrutura exportadora de cada país. Nesse sentido, recordou que Uruguay é o país que, em termos relativos, mais exporta para a Europa dentro do bloco.
Além do volume, Uruguay visa capturar maior valor dentro da cota. O dirigente destacou que o país buscará se posicionar nos cortes resfriados, de maior qualidade e preço no mercado europeu.
"Sem dúvida que iremos mais pelos cortes resfriados porque são cortes de mais valor", afirmou. Além disso, destacou que a partir de 1º de maio se produzirão melhorias tarifárias, incluindo benefícios dentro da cota Hilton, o que poderia se traduzir em melhores preços para a cadeia.
O cenário atual apresenta um período de transição até setembro, durante o qual os países deverão acordar a distribuição definitiva da cota. Enquanto isso, a operativa começará com regras provisórias.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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