Corte declara inoficioso recurso do Ministério da Justiça sobre traslado de internas ao Comple
Decisão da Corte Suprema
Com voto dividido, os ministros da Sala Penal Manuel Ramírez Candia, Carolina Llanes e Luis María Benítez Riera declararam inoficioso o estudo do recurso, considerando que a situação perdeu sua virtualidade prática.
A resolução da Corte exorta o Viceministério de Política Criminal do Ministério da Justiça para continuar arbitrando os recaudos necessários a fim de completar a implementação do Plano de Organização e puesta en marcha do Comple, conforme o Operativo Umbral 2.0.
Antecedentes do caso
O viceministro de Política Criminal, Rubén Maciel Guerreño, apresentou recurso ante a Corte contra duas resoluções ditadas em 24 de outubro de 2025 pela juíza de Execução Sandra Kirchhofer González.
Essas resoluções surgiram após uma visita de inspeção realizada por magistrados de Execução em 15 de outubro desse ano, onde se identificaram aspectos a melhorar nas instalações do centro penitenciário.
Hallados da inspeção
Durante a visita constatou-se a necessidade de:
Garantir a provisão adequada de ventiladores nos pavilhões, assegurar uma alimentação suficiente para todas as internas, otimizar a pressão de água nos banheiros das celas e informar de maneira clara às pessoas privadas de liberdade sobre seus direitos, regulamentos e protocolos internos.
Também foi apontada a importância de comunicar sobre o regime de disciplina, recompensas e o procedimento de agendamento para visitas de familiares.
Disposições das tutelas
Na primeira resolução, foi ordenado adequar as instalações para as 652 reclusas conforme aos direitos e garantias estabelecidos na Constituição, tratados internacionais e na Lei de Execução.
A segunda tutela foi admitida para as reclusas trasladadas do Lar Nova Oportunidade e outros recintos penitenciários, com um prazo de 15 dias para cumprimento das disposições.
Argumentos do Ministério da Justiça
O Ministério da Justiça informou que era materialmente impossível cumprir todos os pedidos no prazo estabelecido, argumentando que contavam com um regime técnico gradual de implementação.
Posteriormente, em resposta a uma solicitação de informe de 9 de março de 2026, o Ministério reportou que foram distribuídos insumos de uso pessoal, incluindo jarras, cuias, bombilhas de plástico, cobertores, contato telefônico semanal, ventiladores industriais e melhoria no abastecimento de água.
Posições dos ministros
O ministro Manuel Ramírez Candia votou por declarar inoficioso o recurso, considerando que efetivamente a situação mudou e perdeu virtualidade prática. Além disso, propôs exortar o Viceministério de Política Criminal para que continue arbitrando os recaudos necessários.
Luis María Benítez Riera aderiu a essa posição.
Por sua parte, Carolina Llanes votou por admitir o recurso, considerando que o Ministério da Justiça cumpriu com sua atividade administrativa e acreditou a existência de planejamento técnico e implementação progressiva das melhorias solicitadas.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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