Conselheiros de Itaipú: 4 cobram e 3 não, mas todos figuram em folhas de pagamento
Falta de transparência da binacional impede esclarecer situação real dos membros do Conselho
Apesar de figurarem nas folhas de salários de Itaipú, o Poder Executivo e a Itaipú Binacional indicaram que os ministros que também são conselheiros da binacional, Claudia Centurión, de Obras Públicas; Rubén Ramírez Lezcano, de Relações Exteriores; e o assessor jurídico da Presidência, Roberto Moreno, na verdade não recebem de Itaipú.
No mesmo sentido, confirmaram que o atual chefe de Gabinete Civil da Presidência da República, Javier Giménez, e o presidente da Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), Félix Sosa, sim percebem salários mensais da hidrelétrica por serem membros do Conselho, mas não recebem salários do Orçamento Geral da Nação (PGN).
O montante de seus salários mensais, segundo as folhas de Itaipú, é de G. 82.549.205, mas ambos consignaram em suas declarações juradas que o montante que ganham é de G. 119.352.186.
Outras publicações e declarações juradas de ex-conselheiros de Itaipú indicam um montante de até G. 130 milhões, como foi o caso da ex-ministra e conselheira de Itaipú Lea Giménez.
Em o caso de Félix Sosa, desde que assumiu a presidência da ANDE e por Decreto 247 do 5 de setembro de 2023 como membro do Conselho de Itaipú, o mesmo optou pelo honorário de conselheiro. No que respeita a Javier Giménez, quando assumiu como chefe de Gabinete da Presidência voltou a ser designado como conselheiro, segundo Decreto 5556 do 25 de fevereiro de 2026, e a partir de então começou a perceber honorário como tal em Itaipú.
Os demais conselheiros paraguaios de Itaipú que também cobram são o ex-ministro Carlos Fernández Valdovinos e Héctor Richer. Em resumo, quatro cobram e três, não.
MUDANÇA
Quando Giménez era ministro de Indústria e Comércio, o Executivo indicou que não cobraria como conselheiro de Itaipú, mas somente como ministro, porém essa situação mudou quando foi nomeado como chefe de Gabinete e ao mesmo tempo se manteve no Conselho, o que apenas agora foi aclarado.
A falta de transparência na binacional não permite ter documentos públicos que esclareçam bem a situação dos membros do Conselho de Itaipú, já que suas folhas encriptadas não detalham a situação de se cobram ou não e apresenta os dados como se todos cobrasse e inclusive apresentam montantes que não seriam os reais cobrados.
A entidade argumenta que sua condição de empresa binacional a torna imune às leis locais como a Lei 5189/2014, que exige a publicação das nôminas de funcionários e suas remunerações, a lei de transparência administrativa e a chamada Lei Godoy que exige um teto salarial inferior ao que ganha o presidente da República (G. 37.908.800).
Em Itaipú são 109 os que ganham mais que Santiago Peña, e em Yacyretá são 92, segundo suas misteriosas e encriptadas folhas de pagamento.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.