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Tecnologia

Confiar muitas tarefas básicas à IA poderia nos tornar mais burros?

Estudos científicos apontam riscos cognitivos no uso excessivo de inteligência artificial

17/07/2026 05:15 4 min lectura 9 visualizações

Cada vez confiamos mais na inteligência artificial para tarefas básicas como redigir um e-mail, organizar uma viagem ou até mesmo encontrar uma ideia para um presente, um costume que levanta um questionamento: será que isso prejudicará nossas capacidades cognitivas a longo prazo? Os chatbots de IA generativa, como ChatGPT, capazes de produzir todo tipo de conteúdo a partir de uma simples consulta, revolucionaram nossos hábitos nas escolas, no trabalho e em nossa vida pessoal.

Mas segundo publicações científicas baseadas em amostras limitadas, delegar tarefas à IA pode ter consequências negativas na memorização, na tomada de decisões e até na capacidade de julgamento crítico. Em abril, um estudo britânico-americano, atualmente em processo de revisão, concluiu que o uso dessas ferramentas para resolver problemas aritméticos ou exercícios de compreensão melhorava o desempenho imediato dos participantes, mas o reduzia a longo prazo, assim como a capacidade de perseverar sem ajuda da IA.

"Esses resultados são especialmente preocupantes, porque a perseverança é fundamental para adquirir competências e constitui um dos melhores indicadores de aprendizagem a longo prazo", escrevem os autores deste estudo realizado com uma amostra de 1.222 pessoas.

A IA acostuma as pessoas a obter uma resposta imediata, o que as "priva de oportunidades de aprendizagem", explica à AFP Grace Liu, especialista da Universidade americana Carnegie Mellon e autora principal do artigo.

"O preocupante é que a IA não é uma ferramenta projetada para uma tarefa específica, mas que pode ser utilizada para qualquer atividade intelectual de raciocínio", acrescenta. Isso a diferencia de uma calculadora, que pode ajudar a resolver uma equação, mas deixa o processo de raciocínio nas mãos do usuário.

"Economizar energia"

Um estudo do MIT de 2025 que se tornou viral sugere que os estudantes que utilizam IA generativa para redigir trabalhos acadêmicos têm menos espírito crítico. Outros estudos apontam na mesma direção. Destacam um fenômeno denominado "delegação cognitiva". "As pessoas têm uma forte tendência a economizar energia", explica à AFP Johann Chevalère, pesquisador do laboratório de psicologia social e cognitiva do Centro Nacional para a Pesquisa Científica francês (CNRS).

"No dia a dia, costumamos utilizar estratégias que nos permitem ir mais rápido ao essencial, sem ter que aprofundar necessariamente na informação que deve ser processada, o que representa um grande esforço cognitivo", acrescenta. Segundo ele, a IA generativa pode reforçar essa tendência. "Se existem atividades que nunca realizas, o cérebro, que funciona buscando economia de energia, não se esforçará para manter conexões que não servem para nada", adverte o especialista.

Estimular a reflexão

Para evitar esses efeitos e fazer frente às críticas, os fabricantes de modelos de IA idealizaram mecanismos "socráticos", em particular para os estudantes.

Trata-se de que os chatbots não gerem uma resposta automática, mas que forneçam dicas e façam perguntas para estimular a reflexão, como o modo "estudo" do ChatGPT da OpenAI ou o "aprendizado guiado" do Gemini.

A Microsoft afirmou à AFP ter integrado no Copilot mecanismos que advertem sobre os riscos de erro, que lembram a importância de verificar a informação e que incentivam os usuários a manter um papel ativo e crítico diante das respostas geradas.

"O risco de uma delegação cognitiva excessiva é real, especialmente se a IA for utilizada para automatizar tarefas que também servem para desenvolver competências", reconhece o gigante do software.

Os pesquisadores entrevistados enfatizam que faltam estudos em larga escala e a longo prazo para conhecer o impacto real dessa nova tecnologia em nossos cérebros.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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