Combustível pressiona transportadores de gado: "Custos subiram, mas os fretes seguem sem ajustes", disse Maldonado
A sucessiva alta do preço do combustível está aumentando a pressão sobre o transporte de gado no Paraguai, em um cenário onde os custos operacionais continuam crescendo, mas as tarifas de fretes praticamente não registraram movimentos durante os últimos anos.
Gilberto Maldonado, diretor de Cerka, explicou em Valor Agregado na Rádio Asunción 1250 AM que o combustível representa um dos principais componentes da estrutura de custos de um caminhão destinado ao movimento de gado. Dependendo da unidade e das condições de trabalho, estimou que pode representar entre 35% e 40% do custo do frete.
"Um caminhão dessa natureza consome entre 35 e 40 litros de combustível a cada 100 quilômetros. O combustível representa entre 35% e 40% do custo do frete", assinalou.
De acordo com os cálculos apresentados por Maldonado, entre fevereiro e setembro o diesel tipo III acumulou uma alta aproximada de Gs. 2.565 por litro, dependendo da marca, o que supõe uma correção da ordem de 25% a 28%.
O transportista estimou que esse incremento representa atualmente uns Gs. 50.000 adicionais somente em combustível para cada 100 quilômetros percorridos. Em uma viagem de uns 600 quilômetros de ida e a mesma distância de volta, o maior custo se aproxima de Gs. 600.000 por frete.
"O problema é que o preço do frete não se moveu. Faz praticamente um ou dois anos que está no mesmo nível", afirmou Maldonado.
Nessa mesma linha, explicou que as tarifas estão fortemente determinadas pela oferta e pela demanda e que atualmente existe uma importante disponibilidade de caminhões tanto para o setor pecuário quanto agrícola.
Essa sobreoferta gera uma forte competição pelas cargas e limita a capacidade dos transportistas de trasladar o incremento de custos às tarifas. "Há muita oferta de fretes e isso faz com que o preço seja muito competitivo. Estamos muito abaixo do que se deveria cobrar", indicou.
Além disso, alertou que o impacto do combustível não termina no tanque do caminhão. Ao subir o diesel também se encarecem outros componentes da operação, como pneus, lubrificantes, baterias, peças de reposição, trabalhos metalúrgicos, manutenção e mão de obra. Segundo Maldonado, atualmente o custo operacional pode absorver cerca de 85% da receita de uma unidade de transporte.
Nesse contexto, considerou que a situação das empresas transportistas é "regular", com diferenças importantes de acordo com a antiguidade e a estrutura financeira de cada operador. As empresas com maior trajetória contam com maior capacidade para atravessar ciclos adversos, enquanto aquelas que realizaram fortes investimentos recentes em caminhões e carrocerias enfrentam maiores exigências financeiras.
"O transporte de gado evoluiu muito, com caminhões novos, carrocerias novas e pisos de borracha. Tudo isso tem um custo", concluiu.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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