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Economia

Com um gordo a US$ 4,80, "o produtor está recebendo como se fosse US$ 3,70", alertou Ferreira sobre o impacto do dólar

07/05/2026 03:45 3 min lectura 12 visualizações
Con un gordo a US$ 4,80, “el productor está cobrando como si recibiera US$ 3,70”, advirtió Ferreira sobre el impacto del dólar

A forte queda do dólar no Paraguai começou a gerar um impacto cada vez mais profundo na cadeia ganadera, principalmente nos segmentos de recria e invernada, onde grande parte dos custos e operações são conduzidos em guaranis enquanto a receita final depende de um negócio exportador dolarizado.

Para Manuel Ferreira, diretor de MF Economia e ex-ministro da Fazenda, a deterioração da taxa de câmbio já provocou uma perda significativa do poder de compra do produtor, ao ponto que o valor real atual do gado se assemelha ao de períodos onde o mercado operava com preços muito mais baixos.

Em diálogo com Valor Agro, Ferreira afirmou que, apesar de que hoje os negócios com gado gordo se concretizam em valores próximos a US$ 4,80 por quilo de carcaça, o efeito da desvalorização do dólar reduz de forma drástica a renda real do produtor. "Hoje em realidade temos um dólar comparável com aquela situação da ordem mais ou menos de US$ 3,60 ou US$ 3,70", sustentou.

O economista recordou que anos atrás um estudo elaborado para a APPEC estabelecia que o ponto de equilíbrio para evitar uma redução do rebanho ganadero se localizava precisamente em valores próximos a US$ 3,60 ou US$ 3,70. "Com esta desvalorização seguramente vamos a seguir vendo reduções no rebanho ganadero pelas complicações que gera o negócio", alertou.

Ferreira explicou que, embora nominalmente o preço do gado tenha subido, a perda cambial terminou erosionando grande parte dessa melhora. "Tivemos um crescimento em termos nominais de receitas, passando de US$ 3,30 a US$ 4,80, mais ou menos 40%, mas também tivemos uma redução de 25% no dólar e um incremento de custos da ordem de 7% a 10%", indicou.

Nesse sentido, ressaltou que o impacto é particularmente forte para os sistemas de recria e invernada, já que vendem o gordo em dólares mas compram reposição em guaranis. "Aí é onde está complicada a situação final", afirmou.

O ex-ministro da Fazenda considerou que o cenário responde em parte a uma conjuntura internacional vinculada à política econômica dos Estados Unidos e à fraqueza global do dólar impulsionada pela administração de Donald Trump. "Seguindo praticamente todas as moedas do mundo, vimos uma desvalorização do dólar da ordem de 10% em média", comentou.

Porém, sustentou que o Paraguai apresenta uma queda muito mais pronunciada e isso gera uma perda de competitividade frente a outros países exportadores da região. "Temos uma desvalorização de quase 25% contra 10% do resto do mundo. Nossa carne está se tornando cara", assegurou.

Ferreira também questionou a estratégia do Banco Central do Paraguai, ao entender que existe uma excessiva focalização na inflação sem considerar o impacto que a volatilidade cambial tem sobre os setores produtivos.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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