Colômbia registra a investida guerrilheira mais letal em décadas
Pelo menos 31 ataques guerrilheiros foram registrados no fim de semana em plena campanha para as presidenciais da Colômbia, incluindo uma bomba que deixou dezenas de mortos em uma estrada, o pior atentado contra civis nas últimas três décadas.
A investida é atribuída pelo governo a uma facção dissidente das FARC comandada por alias Iván Mordisco, o criminoso mais procurado da Colômbia, que se negou a assinar o histórico acordo de paz de 2016 e hoje se financia principalmente com o tráfico de cocaína.
O saldo de assassinados pelo ataque de sábado no departamento do Cauca passou de 20 para 21, disse o ministro da Defesa, Pedro Sánchez, à Caracol Radio na segunda-feira. Outras 56 pessoas ficaram feridas.
Jornalistas da AFP viram no sábado corpos desmembrados e uma dezena de veículos destroçados junto a uma gigantesca cratera no meio da via, em cenas que lembram a pior época do conflito armado de mais de seis décadas no país.
O governo atribui os ataques a uma represália dos rebeldes pela pressão militar que seguiu às frustradas negociações de paz entre o presidente esquerdista Gustavo Petro e Mordisco.
Segundo especialistas consultados pela AFP, o de sábado é o atentado com maior número de vítimas civis desde o ataque em 2003 contra o clube social El Nogal de Bogotá, que deixou 36 falecidos e foi perpetrado pela hoje extinta guerrilha das FARC.
"Inquietação e desestabilização"
Desde sexta-feira foram registradas 31 ações guerrilheiras em três departamentos do sudoeste do país, disse à AFP um porta-voz das Forças Militares.
A investida continuou nesta segunda-feira. Em Jamundí, departamento do Valle del Cauca, militares encontraram incinerado um caminhão carregado de frangos, constatou um repórter da AFP. Durante a madrugada, numa zona cocaleira do Cauca, uma caminhonete carregada com explosivos explodiu sem deixar vítimas, segundo meios locais.
O Cauca, com uma extensa superfície de narcultivos, é um dos departamentos mais açoitados pela guerrilha ofensiva prévia às eleições gerais de 31 de maio.
As fileiras de Mordisco buscam "negociar a finalização dessa inquietação" com autoridades locais "em troca de ações" da força pública, disse à AFP a pesquisadora.
Petro chamou os rebeldes de "terroristas" e ordenou à força pública redobrar sua perseguição.
Após sua chegada ao poder em 2022, o primeiro esquerdista a chegar ao poder na Colômbia tentou sem sucesso negociar a paz com as maiores organizações armadas, que se fortaleceram nos últimos anos.
A expansão dos grupos armados "saiu das mãos do governo" e o efetivo dos grupos armados ilegais se duplicou em dez anos até chegar a 27.000 combatentes, assinalou o pesquisador da Fundación Ideas para la Paz Gerson Arias.
Os candidatos presidenciais condenaram a violência.
O herdeiro de Petro e primeiro nas pesquisas, Iván Cepeda, advertiu sobre o impacto eleitoral numa região onde a esquerda tem "um amplo respaldo": "Surge...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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