Clã Estigarribia: 10 anos de festim na Prefeitura de Villa Elisa
Os irmãos Sergio e Ricardo Estigarribia favoreceram negócios familiares com dinheiro da Prefeitura de Villa Elisa que os converteu em novos ricos da cidade, como bem o descreveu em seu momento um correligionário liberal de ambos. A caneta para sacar contratos diretos, por via da exceção, vulnerando princípios de Contratações Públicas de transparência e livre concorrência, foram uma constante desde que se instalaram na administração em 2015.
- Por Rossana Escobar M.
- rossana.escobar@nacionmedia.com
A entrada como prefeito de Ricardo Estigarribia na Prefeitura de Villa Elisa em 2015 deu origem e impulsionou em paralelo os negócios da família que, graças aos contratos digitados desde a comuna, pegaram uma ascensão econômica sem precedentes.
É assim como aquele humilde cambista de Villa Elisa, como foi em seus inícios o ex-prefeito, agora governador Ricardo Estigarribia, deu um pontapé na pobreza junto com vários membros de sua família. Seu irmão Sergio Estigarribia, atual prefeito da cidade, seguiu muito bem o esquema e fortaleceu os negócios do clã, com as adjudicações diretas de contratos que alcançaram até os cunhados.
De seu humilde ofício de cambista, Ricardo Estigarribia se iniciou na política como vereador municipal, cargo que lhe aplainhou o caminho a uma prosperidade que só pode ser atribuída a uma receita mágica da fortuna.
Segundo suas declarações juramentadas de bens, seus primeiros imóveis datam de 2010 com a vereança e ao terminar o primeiro período como prefeito de Villa Elisa seu patrimônio subiu a mais de G. 1.000 milhões, incremento que resulta desproporcionado aos ingressos percebidos em cargo eletivo. Seu patrimônio duplicou em menos de dois períodos como chefe comunal.
Por sua parte, Sergio Estigarribia, após a posse de Ricardo, havia se infiltrado de maneira estratégica nas obras financiadas pela prefeitura. Basicamente manejava as construções de escolas e demais que a administração de seu irmão adjudicava de maneira direta às empresas de fachada de subordinados, leais operadores, como o caso de Heriberto Trevizon, um conhecido cambista do clã de Villa Elisa.
CARGO HERDADO
Em 2021, Sergio assume como vereador, no final de 2022 seu irmão Ricardo lhe herda o cargo e em 2023 jurou como prefeito de Villa Elisa.
Segundo as declarações juramentadas que Sergio, ao assumir o cargo de prefeito, apresentou ante a Controladoria Geral da República (CGR), em menos de dois anos comprou bens cujo importe ascende a G. 950 milhões. Isto consiste em uma importante quinta na cidade de Benjamín Aceval adquirida em 2015 que avaliou em G. 700 milhões, duas camionetes por G. 250 milhões em 2016 e 2017, respectivamente.
O chamativo é que naqueles anos o agora chefe comunal tinha um ingresso de G. 2 milhões mensais equivalente ao mínimo vigente, segundo consignou em suas declarações juramentadas sua esposa María Esther Millán. A mulher percebe um modesto salário como funcionária do Ministério da Saúde equivalente a G. 3,6 milhões, mas junto com seu companheiro ostentam vida de luxos, cujo financiamento não condiz com suas origens nem o salário que puderam ter percebido na função pública.
REPARTILHA
Atrás da prosperidade dos irmãos existem antecedentes de um esquema de repartilha de contratos diretos que ambos impulsionaram desde a prefeitura e que beneficiou um cerrado entorno. Recursos provenientes do Fundo Nacional de Investimento Público e Desenvolvimento (Fonacide) e dos royalties iam direto aos cofres de firmas de fachada improvisadas por membros do clã Estigarribia.
Este próspero esquema deu origem a várias empresas capitalizadas com milhares de milhões de dinheiro em espécie, cus...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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