Cientista paraguaia destaca o potencial alimentar e biotecnológico dos fungos locais
Brenda Veloso, pesquisadora da Faculdade de Ciências Químicas da Universidade Nacional de Asunção, destaca as amplas possibilidades que o cultivo de fungos oferece para o desenvolvimento alimentar do país. Aos 30 anos, recentemente agraciada com o Prêmio Mulheres Paraguaias na Ciência Edição 2025 na categoria Estímulo, área de Ciências Agrícolas e Veterinárias, mostra-se entusiasmada com a boa recepção que o conhecimento sobre esses organismos tem no Paraguai.
A proposta de Veloso centra-se em utilizar biotecnologia para que os fungos produzam enzimas, proteínas e transformem resíduos agroindustriais em novos alimentos, o que poderia beneficiar tanto pequenos produtores quanto operações em escala industrial.
Acessibilidade e escalabilidade
Uma das principais vantagens do cultivo de fungos é sua flexibilidade quanto à infraestrutura. "O que tem de bom é que se pode implementar em diferentes escalas, não necessariamente precisa começar com uma infraestrutura industrial, com um saquinho já se pode estar experimentando. Precisa ter seu inóculo, que vem a ser como colocar, entre aspas, a semente do fungo", explica Veloso sobre como inicia o processo de cultivo.
Contudo, a pesquisadora enfatiza a importância da capacitação profissional. "É importante esclarecer que, embora o cultivo possa ser tecnicamente acessível e simples no início, é necessária uma capacitação e o acompanhamento de um profissional porque sim há cuidados muito importantes a considerar", aponta.
Potencial de pesquisa no Paraguai
Quanto à diversidade fúngica disponível no país, Veloso indica que no livro "Fungos comestíveis e medicinais do Paraguai" estão registradas 41 espécies que podem ter usos na alimentação. Dessas, aproximadamente 50 por cento é cultivável, o que representa 20 espécies com potencial para produção contínua.
Para Veloso, o reconhecimento com o prêmio representa uma oportunidade importante "para visibilizar uma linha de pesquisa que considero estratégica para o país porque somos produtores de alimentos e isso implica ter certo volume de resíduos agrícolas, que neste caso podemos reutilizar". Além disso, destaca que "permite mostrar que no Paraguai se faz ciência de qualidade e que existem mulheres pesquisadoras trabalhando em áreas que podem contribuir para o desenvolvimento do país".
Formação acadêmica e motivações
Veloso é licenciada em Tecnologia de Alimentos e seu interesse na micologia aplicada surgiu da combinação de sua formação profissional com o trabalho em pesquisa multidisciplinar. Sua motivação principal foi descobrir que o Paraguai contava com pouco conhecimento sobre fungos comestíveis além dos cogumelos tradicionais, diferentemente de outros países onde existe maior variedade de fungos utilizados na alimentação.
"Em nível de país não tínhamos muito conhecimento sobre isso. O mais famoso era encontrar os cogumelos e via como em outros países havia outro tipo de fungos comestíveis, não somente esses que conhecíamos. Depois de pesquisar sabemos que temos uma grande quantidade de fungos comestíveis com um potencial incrível", comenta.
Aplicações além da alimentação
As aplicações dos fungos transcendem o setor alimentar. Os fungos têm potencial em medicina, indústria têxtil, desenvolvimento de biomateriais e tratamento de efluentes, oferecendo soluções ecológicas para diversos desafios industriais e ambientais.
O trabalho de Veloso e sua equipe de pesquisa representa uma contribuição significativa para posicionar o Paraguai como produtor de conhecimento científico em uma área de alto valor estratégico para o desenvolvimento sustentável do país.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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