Chilí Yegros, matron asuncena vivente
Toni Roberto
Fiel à sua memória do passado, apresentam-se novas histórias asuncenas pela mão de uma das mulheres mais lúcidas de sua época, Chilí Yegros, uma das últimas matronas de Asunción, que em breve completará 104 anos.
Lembranças da transformação urbana
Durante uma conversa, Chilí relata: "Um dia do final dos anos cinquenta eu ia para meu campo e furou o pneu do 3 CV no caminho. Em um momento dado, passa o senhor Zaputovich que ia para sua estância e me pergunta: 'O que aconteceu, dona Yegros?'. E respondi: 'Aqui os rapazes estão me ajudando a trocar o pneu'".
Ao lembrar da localização de seu estabelecimento, Chilí aponta: "Ali onde agora é Santa Teresa, antes de chegar na Rua Última". O terreno de 30 hectares onde criava vacas, galinhas e porcos ocupa hoje um dos setores mais valorizados de Asunción.
Empresárias de outras épocas
"Ali fazíamos o abate e vendíamos para os primeiros supermercados da época. Uma de minhas compradoras era Panchita González, uma pioneira nesse ramo", conta Chilí. Sua filha María Eugenia Yegros observa a trajetória de sua mãe e reflete sobre como essas mulheres empresárias já realizavam negócios décadas atrás, quando as mulheres haviam apenas começado a exercer o voto no Paraguai.
Uma vida de vitalidade e memória
Ao longo dos anos, foram realizadas múltiplas entrevistas com Catalina Crosa de Yegros, que desempenhou diversas atividades como decoradora, produtora de laticínios e estanciera. Quando completou 94 anos, foi convidada a uma palestra sobre seu bairro San Roque na praça Uruguaia, chegando a dirigir seu próprio veículo. Depois de uma década, continua compartilhando lembranças lúcidas de outras épocas com seus quase 104 anos.
Junto a personagens como Lita Pérez Cáceres, Lucy Yegros e José Luis Ardissone, Chilí tem sido fonte de inspiração para a reconstrução da memória do bairro asunceno. Sua trajetória remonta a quando sua bisavó e avó chegaram a uma Asunción devastada após a Guerra Grande, onde sua avó se desempenhava como costureira e sua mãe como confeccionista de calças, chegando até a confeccionar peças para o General José Félix Estigarribia.
O caminho do leite em Asunción
Chilí rememora os caminhos antigos da cidade: "Vinham a Asunción e passavam pelo, naquela época, novo Mercado 4. Depois desciam a grande ladeira de Pa'i Pérez, e nós, as moças do bairro, já sabíamos a que hora passavam rumo ao Mercado 2. Levávamos nossos latões e ordenhavam ali mesmo as vacas". Esses detalhes ilustram o paisagem cotidiana de outras épocas em setores que hoje fazem parte do microcentro asunceno.
Catalina Crosa de Yegros continua residindo em sua moradia de arquitetura colonial localizada no bairro San Roque da histórica Asunción, conservando a vitalidade e a lembrança detalhada da transformação da cidade ao longo das décadas.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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