Ceuta alerta que a situação dos menores migrantes é "insustentável"
Uns 72.000 migrantes entraram na semana passada em Ceuta, a grande maioria a nado ou a pé, dos quais cerca de 70.000 já retornaram ao vizinho Marrocos, segundo cifras espanholas.
O masivo ingresso irregular deixou pelo menos 78 mortos, após a recuperação de um corpo no final da quarta-feira, informaram autoridades judiciais espanholas.
Entre os que permanecem em Ceuta há centenas de menores não acompanhados.
"A ocupação que Ceuta tem no âmbito da acolhida de menores é de 2.600% acima de sua capacidade crítica", alertou Vivas à televisão pública RTVE, e quantificou em 1.100 os atendidos atualmente.
"É uma situação absolutamente insustentável", acrescentou o presidente de Ceuta, membro do Partido Popular, principal formação opositora ao governo espanhol presidido pelo socialista Pedro Sánchez.
Grupos de jovens migrantes continuavam perambulando pelas ruas de Ceuta na quarta-feira, reunindo-se em parques e praias enquanto as autoridades trabalhavam para identificá-los e alojá-los, constatou um jornalista da AFP.
"Ainda há menores em nossas ruas e é uma prioridade, uma grande preocupação", indicou, por sua vez, o delegado do Governo na cidade autônoma, Miguel Ángel Pérez.
Vivas, que assegurou que Ceuta segue "com a alma pendurada", pediu auxílio ao resto da Espanha.
Nota relacionada: Normalidade na fronteira entre Marrocos e Ceuta
O Ministério da Juventude e Infância da Espanha anunciou um financiamento de emergência de 25 milhões de euros (USD 29 milhões) para Ceuta a fim de ajudar esse diminuto território de 84.000 habitantes a atender os menores.
De acordo com a legislação espanhola, as comunidades autônomas devem auxiliar na acolhida de menores procedentes de zonas em situação de tensão extraordinária. Mas essa norma encontra reticência de algumas regiões onde o Partido Popular governa em coligação com a formação ultradireitista Vox, contrária a essa acolhida e restritiva em questões de migração.
"O Partido Popular e os governos governados pelo Partido Popular têm que cumprir a lei igual que o resto", sublinhou, todavia, o vice-presidente primeiro do governo espanhol e ministro da Economia, Carlos Cuerpo, na televisão pública.
Questionado sobre uma possível falta de previsão, da qual algumas vozes acusam o executivo nacional, Cuerpo destacou a "excepcionalidade" do ocorrido.
Vivas afirmou, entretanto, que dias antes da crise alertou o governo central de que "se estava produzindo um intenso fluxo de entradas em Ceuta" e inclusive chegou a pedir a declaração de emergência nacional que, segundo contou, o executivo rejeitou porque "não era juridicamente viável".
"Demos indicações suficientes para evidenciar que a situação estava se tensionando muito e que se requeria a adoção de medidas excepcionais", lamentou.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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