Cerca de cem dissidentes das FARC deixam as armas após acordo com governo colombiano
Grupo se desarmou em zona de trânsito para vida civil estabelecida pelo governo Petro
"Com este passo histórico, estas mulheres e homens iniciam seu trânsito à vida civil plena, com acompanhamento das instituições do Estado colombiano e o apoio das comunidades vizinhas do território", apontou a Conselheria Comissionada de Paz do Governo ao ler um comunicado conjunto com esse grupo armado.
Esse deslocamento realiza-se após o Governo suspender por seis dias, entre 14 e 19 de junho, as operações militares e policiais contra essa dissidência com a qual negocia a paz para que os membros desse grupo armado pudessem chegar à ZUT.
As zonas desse tipo foram criadas pelo Governo do presidente colombiano, Gustavo Petro, como parte de sua política de paz total para que os membros dos grupos armados se desloquem para lá, se desarmem e comecem seu trânsito à vida civil.
Os membros da dissidência das FARC reuniram-se em um ato realizado no município Valle del Guamuez, onde trocaram seus uniformes militares por camisetas brancas e compartilharam abraços como sinal de paz.
"Sejam a voz de esperança, de encorajamento, de criar caminhos desde o coração. Para todos vocês, que seguramente pensam na possibilidade de se reencontrarem com suas famílias e as abraçarem, meu reconhecimento", afirmou o chefe da delegação do Governo nos diálogos com o CNEB, Armando Novoa.
Os vizinhos do local também participaram do ato e destacaram a predisposição dos integrantes da dissidência FARC para seu desarmamento.
"Como mulher, os abraço e me coloco no lugar de cada mãe, de cada companheira, de cada avó, de cada familiar, de cada vizinho que algum dia deixou de vê-los (...) que esse trânsito à vida civil seja Deus e a pátria recompensando cada ato nobre e entusiasta que vocês façam por escrever uma nova história em suas vidas", garantiu uma representante da Associação de Mulheres Cuidadoras de Vida.
Em abril passado, o CNEB perpetrou ataques no departamento de Nariño (sudoeste), que deixaram três militares mortos e quatro crianças feridas, o que deixou em suspenso as negociações.
No entanto, a dissidência pediu desculpas e ratificou seu compromisso de "não planejar nem conduzir ações ofensivas contra a força pública, incluído o uso de drones".
O CNEB reúne os Comandos de Fronteira e a Coordenadora Guerrilheira do Pacífico, que se separaram da Segunda Marquetalia, outra dissidência das FARC, após a decisão desse grupo de abandonar as negociações de paz.
Justamente aos Comandos de Fronteira se lhes atribuiu no 9 de maio do ano passado um ataque que deixou doze mortos, entre eles onze militares, e um ferido na Amazônia equatoriana, embora esse grupo armado tenha negado ser o autor desse fato.
Como parte das negociações de paz com o Governo foram destruídas em outubro passado 3,8 toneladas de material de guerra da Coordenadora Nacional Exército Bolivariano no departamento de Putumayo, fronteiriço com Peru e Equador.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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