Celeste pede desculpas a afrodescendentes e não cede com Mbappé: "O problema é entre você e eu"
Senadora liberal paraguaia defende suas críticas ao jogador francês e questiona pronunciamento da Chancelaria
A senadora liberal Celeste Amarilla saiu em defesa da polêmica gerada por suas publicações direcionadas ao jogador de futebol francês Kylian Mbappé e assegurou que suas expressões foram realizadas a título pessoal e não como representante da República do Paraguai.
A legisladora questionou duramente o comunicado emitido pelo Ministério de Relações Exteriores, que alegou que as declarações da parlamentar paraguaia da oposição não representavam a postura oficial do país.
"Eu não falei em meu caráter de senadora, em representação da República do Paraguai nem do Partido Liberal Radical Autêntico. Fiz isso da minha cama xingando, porque ele é um mal-educado", sustentou Celeste Amarilla em diálogo com a rádio Monumental 1080 AM nesta terça-feira.
Também qualificou de "vergonhoso" e "abominável" o pronunciamento da Chancelaria Nacional.
"Termina dizendo que é uma posição individual. O que penso eu para falar em nome do governo? Eu não sou governo. O governo é colorado. Meu partido perdeu. Sou senadora da oposição. Por que têm que responder o que diz uma senadora da minoria? Francamente não entendo", expressou.
Mostrou-se surpresa com o pronunciamento emitido inclusive pelo presidente da França, Emmanuel Macron. "Está preocupado com isso, e eu não entendo", questionou.
A parlamentar afirmou que antes da série de publicações desconhecia o jogador francês e começou a lhe dar atenção após as declarações que realizou sobre o encontro ante o Paraguai.
"Eu não sabia quem era Mbappé. Me surpreendeu a agressividade que ele tinha, quando disse que era preciso 'meter as mãos na merda' ou quando falou em tirar o smoking. Aí comecei a ter raiva do cara e descobri quem era", manifestou.
Segundo a senadora liberal, durante a partida do Paraguai e França nas oitavas de final da Copa do Mundo 2026, o atacante manteve uma atitude "arrogante" e "antiesportiva".
"Foi grosseiro, mal-educado. Violou uma das normas de ética ao recusar dar a mão ao goleiro. Isso demonstra que poderá jogar muito bem futebol, mas não é um bom desportista; reagiu como um ofendido", afirmou.
A senadora também respondeu à mensagem publicada por Mbappé, em resposta a ela, onde a qualificou de "mulher desprezível e indigna do cargo que ocupa".
"Desprezível para quem? Indigna do cargo? Eu tive votos. A mim não me contratam para isso. Os jogadores de futebol jogam por contrato; ele é pago para representar a França. A mim me elegeram os paraguaios", apontou.
Defendeu também seu direito de opinar sobre esportes sem que isso comprometa sua investidura parlamentar. "Por que não posso falar de futebol? Acaso a senadoria me confisca meus direitos de cidadã? A senadoria não me faz uma cidadã muda, sem opinião", sustentou.
Amarilla disse ainda não compreender a dimensão internacional que adquiriu a controvérsia.
"Não consigo acreditar que Macron se ocupe de mim. Entendo que sou senadora do Paraguai, mas eu estava falando de Mbappé. Se um senador falava mal de Orlando Gill, Santiago Peña ia ligar para Macron?", ironizou.
A legisladora voltou a explicar o porquê deletou uma de suas postagens, na qual utilizou uma expressão considerada discriminatória.
"Me arrependi e deletei. Sabe por quê? Porque usei o mesmo insulto que utilizam contra nós, os sul-americanos. A nós também nos dizem que descemos das árvores, que chupamos coco. Repeti um padrão que detesto e por isso deletei aquele tweet", alegou.
Indicou que acreditou que ao deletar a publicação, o episódio havia ficado para trás e posteriormente voltou a esclarecer publicamente que havia cometido um excesso.
"Pensei que deletando já estava. A gente deleta uma postagem porque se arrepende. Ontem esclareci justamente que foi um excesso da minha parte", reconheceu, e reitou também as desculpas a quem pôde se sentir ofendido pelas expressões discriminatórias utilizadas.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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