Caso Tía Chela: Corbeta questiona compras de CDE e fala de uma "licitação fraudada"
O agente fiscal Silvio Corbeta explicou os principais elementos com que conta o Ministério Público para sustentar a acusação contra o ex-intendente de Ciudad del Este, Miguel Prieto, que estão apresentando durante o julgamento oral que se desenvolve na etapa de produção documental. Sustentou que a municipalidade estense não adquiriu a totalidade das mercadorias que constam dos documentos, razão pela qual qualifica como "uma licitação fraudada".
O fiscal Corbeta mencionou durante uma entrevista para o meio digital El Observador que os informes da Direção Nacional de Contratações Públicas (DNCP) e a Controladoria respaldam os questionamentos ao procedimento utilizado. Também assinalou que a empresa adjudicada "Tía Chela" não contava com todo o estoque declarado no momento da recepção.
Mencionou além disso que durante o mesmo período, foram adjudicadas outras duas empresas mais, entre março e abril de 2020, na mesma época em que foi adjudicada Tía Chela, onde também se compraram mais kits de alimentos.
"Para nós, como Ministério Público, é uma licitação fraudada, ou seja uma licitação simulada; dado que não se comprou a totalidade das mercadorias que constam nas documentações de compra por parte da Municipalidade. Isto não é uma questão subjetiva minha, nem de nenhum dos colegas que me acompanham", precisou.
O fiscal ressaltou que esta acusação fiscal está sustentada nos informes da DNCP que fez uma rastreabilidade, e se pôde detectar que Tía Chela não tinha todo o estoque destas mercadorias no momento em que supostamente se fizeram estas notas de recepção.
Também mencionou que a Municipalidade de Ciudad del Este utilizou de maneira incorreta a via de exceção para as compras investigadas. "Isto tampouco é uma questão subjetiva do Ministério Público, nem minha, nem de nenhum dos agentes fiscais; senão que isto está sustentado em pareceres tanto da Controladoria como da Direção Nacional de Contratações Públicas", ressaltou.
Nesse sentido, explicou que durante a pandemia este mecanismo devia estar vinculado a ações de prevenção e mitigação do coronavírus. Indicou que essas aquisições podiam ser realizadas mediante uma licitação pública para garantir maior transparência. Assinalou que o Ministério Público sustenta que o procedimento utilizado não ofereceu as condições de transparência requeridas.
Modo operandi repetido
O fiscal Corbeta vinculou o caso de Tía Chela, que foi para compra de kits de alimentos com a causa conhecida como "Tajy". Sustentou que em ambos os processos teria se recorrido à via de exceção e se convocou empresas vinculadas entre si.
Explicou que no caso Tajy também participaram firmas relacionadas com pessoas próximas à empresa adjudicada. O fiscal afirmou que inclusive se repetiu o uso de faturas de uma mesma empresa como respaldo das operações.
Não obstante, aclarou que o Ministério Público não sustenta que os kits não tenham sido entregues, senão que questiona a via utilizada para a contratação. Explicou que a Municipalidade teria podido recorrer a uma licitação pública, com maior quantidade de ofertantes e condições para garantir uma maior transparência no processo.
"Para o Ministério Público não existiu essa transparência e por isso não apenas neste caso, o mesmo modus operandi, se seguiu no segundo caso que está levando a julgamento oral o caso Tajy. Se fez pela via da exceção...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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