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Internacional

Carmen Navas, a mãe venezuelana que morreu após buscar seu filho durante mais de 16 meses e descobrir que o Estado já o havia enterrado

19/05/2026 10:45 3 min lectura 0 visualizações
Carmen Navas, la madre venezolana que murió tras buscar a su hijo durante más de 16 meses y saber que el Estado ya lo había enterrado

Apenas 9 dias separam a morte de Carmen Navas da de seu filho. Ou, melhor dito, da notificação oficial de que Víctor Quero Navas estava enterrado.

Víctor Quero Navas, de 51 anos, foi detido em 1º de janeiro de 2025. Funcionários da Direção de Contrainteligência Militar (DGCIM) o levaram. Mas não notificaram sua prisão.

Após o desaparecimento, Carmen, de 83 anos, procurou por seu filho em vários centros de reclusão em Caracas: o DGCIM de Boleíta, o Helicoide, o centro de La Yaguara, a zona 7 de Petare e no Rodeo I.

Em nenhum lhe deram informações oficiais.

Até que no passado 7 de maio a citaram na Defensoria e notificaram que Víctor Quero Navas morreu em julho de 2025 e foi enterrado pouco depois.

Em um comunicado do Ministério de Assuntos Penitenciários alegam que Quero Navas "não forneceu dados filiatorios e nenhum familiar se apresentou para solicitar visita formal" e que, após sua morte, procedeu-se a sua "inumação formal em data 30 de julho de 2025" diante da suposta "ausência de seus familiares".

Desde seu desaparecimento, Carmen Navas denunciou em múltiplas ocasiões o caso de seu filho e exigiu respostas das autoridades.

A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, assegurou nesta segunda-feira que ordenou uma investigação por esta morte, depois que seu governo confirmou que o detido faleceu há quase um ano.

"Desde o momento em que se teve conhecimento da denúncia sobre o caso de seu filho, Víctor Hugo Quero Navas, a presidente ordenou uma investigação rigorosa para esclarecer o ocorrido", aponta um comunicado publicado pela Imprensa Presidencial.

Igualmente, sustentou que uma vez concluídas as averiguações, informará ao país "de maneira ampla" sobre os resultados e "as ações correspondentes".

Numerosas organizações de direitos humanos na Venezuela denunciaram o caso, enfatizando que não é um fato isolado, mas que "resume de maneira dramática boa parte das graves violações de direitos humanos que foram denunciadas nos últimos anos", segundo consta de um comunicado do observatório Acceso a la Justicia.

Carmen morreu sem poder ver Víctor. Mas não foi a única. Outras quatro mães cujos filhos foram detidos em circunstâncias similares à de Quero Navas morreram nos últimos seis meses na Venezuela sem ter visto seus filhos em liberdade.

Víctor Quero foi detido, segundo argumentaram as autoridades posteriormente, pela suposta posse de explosivos. Mas, segundo reporta a imprensa local, testemunhas presenciais sustentam que apenas transportava hallacas e bombons para festejar o Ano Novo em companhia de sua mãe.

Sem notícias de seu filho por vários dias, Carmen se dispôs a procurá-lo em cada centro de reclusão.

A informação que obteve foi de outros reclusos do Rodeo I, que lhe disseram que seu filho estava lá. Até mesmo foram eles quem lhe informou no seu momento de que seu filho havia adoecido.

A jornalista venezuelana Maryorin Méndez esteve ao lado de Carmen Navas durante vários meses para documentar sua história e conta à BBC Mundo que "ficou registrado como ela foi uma e outra vez a cada uma das instituições e como à avó foi negada toda instância na qual pediu informação sobre seu filho".

"Por que não deixam ele ver? Qual é o crime que ele cometeu?", era um dos muitos reclamos que Carmen Navas fez em inúmeros atos pela liberdade de seus...

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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