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Economia

Brasil terá que redirecionar até 100 mil toneladas mensais de carne e pressionará o mercado, aponta Samy Ragi

Diretor da Mirasco Internacional avalia impacto das tarifas chinesas no mercado internacional de carne bovina

06/07/2026 13:16 3 min lectura 2 visualizações
Brasil deberá redireccionar hasta 100.000 toneladas mensuales de carne y presionará al mercado, apuntó Samy Ragi

O mercado internacional de carne bovina ingressa no segundo semestre de 2026 com um novo fator de pressão: a necessidade de Brasil redirecionar importantes volumes que não conseguirá colocar na China sem pagar altos arancéis.

Para Samy Ragi, diretor da Mirasco Internacional, este cenário gerará uma maior competição em terceiros mercados e poderia provocar uma queda de preços, especialmente para Brasil e os países que competem fora do mercado chinês.

Em entrevista com Valor Agregado Uruguai, Ragi sustentou que o primeiro semestre deixou um mercado de carne firme, em um contexto internacional marcado pela instabilidade geopolítica, o conflito no Oriente Médio, o encarecimento do petróleo e uma economia global mais ajustada.

"O mercado de carne é um contexto mundial. Não depende de Brasil, Argentina, Uruguai ou de um país específico. É oferta e demanda de um produto que não se fabrica em 30 ou 40 dias como o frango; produzir um animal leva dois ou três anos para tê-lo servido como bife na mesa", afirmou.

O principal ponto de atenção, segundo Ragi, está em Brasil. Explicou que o gigante sul-americano está chegando ao limite de sua cota de exportação para a China e, uma vez superado esse volume, terá de pagar um arancel que torna inviável boa parte dos negócios.

Nesse cenário, estimou que Brasil terá um excedente de entre 100 mil e 120 mil toneladas mensais de carne que antes tinham como destino o mercado chinês.

"Isso será redireccionado para o resto do mundo. Algo irá para os Estados Unidos e algo terá de ser vendido em outros mercados. O problema não são somente essas 100 mil toneladas excedentes, mas que não há dinheiro: Oriente Médio e outros compradores estão ficando sem dinheiro", alertou.

Ragi considerou que esta situação gerará uma pressão baixista sobre os valores de exportação brasileiros. "Vai continuar caindo", afirmou ao referir-se ao preço do novilho nos estados exportadores de Brasil, onde os valores já se situam perto de US$ 4 por quilo carcaça em algumas regiões.

Para o operador, Uruguai aparece melhor posicionado frente a este cenário. Apontou que o país mantém cota disponível para a China, além de acesso a mercados como Estados Unidos e Canadá. "Ao Uruguai não afeta no negócio global da carne. Pode afetar em algum corte ou em miudezas, mas não no negócio da carne", indicou.

A situação é diferente para Paraguai, que não possui acesso ao mercado chinês e poderia enfrentar uma maior competição de carne brasileira mais barata em destinos alternativos. "Sim, vai afetar bastante ao Paraguai", sustentou Ragi.

Sobre a China, o diretor da Mirasco Internacional disse que, apesar da existência de estoques, o consumo interno continua ativo. Além disso, explicou que o gigante asiático terá de voltar a comprar carne durante julho, agosto e parte de setembro, especialmente...

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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