Brasil implementa novas regulações para publicidade de apostas online
Plataformas são obrigadas a incluir advertências sobre dependência e perda de dinheiro em toda publicidade
Novas medidas regulatórias
Desde esta sexta-feira, as plataformas de apostas online no Brasil estão obrigadas a incluir advertências como "Apostar pode causar dependência" e "Apostar faz você perder dinheiro" em toda sua publicidade. Esta medida faz parte de um endurecimento regulatório impulsionado pelo governo federal, que busca tratar as apostas de forma similar ao tabaco, cuja publicidade está quase completamente proibida no país.
Dario Durigan, ministro da Fazenda, apontou que o objetivo destas novas regras é "proteger as pessoas". As normativas federais também proíbem apresentar as apostas como uma forma de investimento e restringem que comentaristas desportivos recomendem apostar durante transmissões.
Contexto da problemática
A expansão das plataformas de apostas online foi acompanhada por uma estratégia de marketing agressiva e onipresente. Os anúncios figuram em edifícios, estádios e shows, enquanto figuras desportivas e influenciadores promovem ativamente estas plataformas. As redes sociais também distribuem anúncios personalizados por meio de algoritmos dirigidos a usuários específicos.
A questão ganhou visibilidade durante eventos desportivos internacionais e no contexto pré-eleitoral. Por trás desta preocupação existe um problema social concreto: o endividamento de famílias, particularmente em setores de menores rendimentos. Segundo dados oficiais, 63% de quem aposta no Brasil tem rendimentos familiares de até dois salários mínimos.
Ações em governos locais
Rio de Janeiro adotou medidas mais restritivas por meio de decreto, proibindo a publicidade de apostas em espaços públicos. Pessoal da prefeitura percorre as ruas cobrindo cartazes com a inscrição "Publicidade de bet REMOVIDA". Cidades como Belo Horizonte e São Paulo avançam em direções similares.
A Associação de Jogos e Loterias, sindicato do setor, qualificou estas medidas locais como "ataque infundado" e indicou que tomará ações legais contra elas.
Regulação insuficiente
Para diversos críticos, as restrições estabelecidas resultam insuficientes. O canal CazéTV, que transmite gratuitamente partidas internacionais pelo YouTube alcançando audiências recordes, gerou controvérsia ao mostrar códigos QR de apostas na tela enquanto seus comentaristas recomendavam jogadas específicas.
O organismo de defesa do consumidor abriu uma investigação por presumida publicidade abusiva, após o qual o canal reduziu este tipo de anúncios.
Perspectivas sobre o fenômeno
Ana Clara Costa, vendedora de 21 anos em uma feira de Copacabana, considera que "as bets não deveriam nem existir". Aponta que "quem aposta não é gente com estabilidade financeira mas que geralmente quer mudar de vida, e termina acreditando nessa propaganda enganosa".
A advogada Juliana Prates apresentou uma reclamação ante organismos competentes contra a promoção de uma marca de apostas realizada por uma figura pública com milhões de seguidores nas redes sociais, sem receber resposta. Prates argumenta que existe "falta de vontade institucional para resolver o problema, porque envolve muito dinheiro".
Brasil autorizou as apostas desportivas e cassino online em 2018, mas sem regulá-las durante anos. O impacto foi considerável: 25 milhões de brasileiros apostaram em plataformas reguladas em 2025, em um país de 213 milhões de habitantes. Segundo análises especializadas, "o brasileiro médio não tinha anticorpos contra as apostas".
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.