Brasil entraria em fase de menor oferta de carne em 2027 e reduziria suas exportações
O ciclo pecuário brasileiro começaria a apresentar uma reversão mais marcada durante 2027, com menor disponibilidade de animais para abate, redução da produção de carne bovina e retrocesso das exportações, de acordo com as projeções do escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Brasília divulgadas pela Faxcarne.
Segundo o relatório, o processo estaria explicado principalmente por maior retenção de matrizes e outras categorias, em um cenário onde os produtores começariam a priorizar a recomposição do rebanho. Esta menor oferta de gado também poderia gerar uma pressão altista sobre os preços dos bezerros.
Para 2027, o USDA projeta que o abate bovino do Brasil caia 2,6% frente ao ano anterior, até aproximadamente 48,2 milhões de cabeças. Em paralelo, a produção de carne bovina cairia 2%, equivalente a cerca de 200 mil toneladas, para se situar em torno de 12 milhões de toneladas equivalente carcaça.
Um dos primeiros sinais de recomposição do estoque seria o crescimento da produção de bezerros. O organismo norte-americano estima um aumento de 3,6% durante 2027, até atingir aproximadamente 50 milhões de cabeças.
A menor produção também teria impacto sobre o comércio exterior. De acordo com o relatório citado pela Faxcarne, as exportações brasileiras de carne bovina diminuiriam cerca de 1%, cerca de 50 mil toneladas, até 4,10 milhões de toneladas equivalente carcaça.
Apesar dessa contração, Brasil continuaria ocupando com ampla diferença a liderança mundial entre os exportadores de carne bovina. Os envios externos representariam aproximadamente 34% da produção brasileira prevista para o próximo ano.
O USDA também incorporou em suas projeções as restrições comerciais que atualmente afetam ou poderiam condicionar o desempenho brasileiro em alguns de seus principais mercados. Entre elas mencionou a cota aplicada pela China, a suspensão das compras de carne brasileira pela União Europeia e o término da ampliação temporária da cota norte-americana para carne magra.
O menor volume disponível também se refletiria no mercado doméstico. O consumo interno de carne bovina poderia cair 2% durante 2027, até aproximadamente 7,94 milhões de toneladas, cerca de 140 mil toneladas menos que o ano anterior.
De acordo com a análise do USDA, além da menor oferta de carne e da prioridade que manteriam as exportações, o elevado endividamento dos lares brasileiros e a perda de poder aquisitivo contribuiriam para limitar o consumo interno.
As projeções reforçam assim a expectativa de uma mudança de fase para a pecuária brasileira: após vários anos de forte disponibilidade de hacienda e crescimento das exportações, a retenção de matrizes e a recomposição do rebanho começariam a restringir a oferta a partir de 2027.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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