Brasil aprova lei que expande incentivos para exploração de terras raras
Aprovação legislativa com respaldo multipartidário
O Congresso do Brasil aprovou na quarta-feira um projeto de lei que amplia os poderes do Executivo sobre as terras raras e oferece incentivos ao setor privado para explorar as vastas reservas do país. O gigante sul-americano possui as segundas maiores reservas mundiais de terras raras, superado apenas pela China, embora atualmente careça de capacidade para explorá-las.
A lei foi aprovada com apoio de maiorias tanto do governo quanto da oposição, e deverá ser sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A necessidade de transferência tecnológica
Durante o debate legislativo, o senador Eduardo Braga, relator do projeto, enfatizou a importância do acesso à tecnologia:
"Não temos a tecnologia. Precisamos nos associar e garantir a transferência de tecnologia para a nação brasileira"
Embora estes 17 elementos estejam presentes em numerosos pontos do planeta, sua separação é um processo complexo que atualmente domina o setor de mineração chinês. Seu valor estratégico reside em sua aplicação para fabricar turbinas eólicas, motores elétricos e outros produtos tecnológicos.
Atribuições do Executivo e regulação
O texto aprovado concede ao Executivo o poder de vetar acordos com empresas estrangeiras que possam afetar a segurança econômica ou geopolítica do Brasil, e se reserva o direito de aprovar a modificação do controle societário das companhias do setor.
Estas decisões ficarão a cargo de um novo Conselho Nacional para a Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos. Segundo informes de atores do setor de mineração, alguns investidores manifestaram ressalvas quanto a estas atribuições regulatórias.
Incentivos fiscais e agregação de valor
A lei contempla incentivos fiscais para as empresas de mineração, estruturados de forma proporcional ao valor agregado que tragam ao Brasil mediante a elaboração de produtos como ímãs ou baterias.
O deputado Arnaldo Jardim, relator da proposta, expressou a orientação estratégica da normativa:
"Brasil não pode ser apenas um exportador de commodities minerais. Deve ter uma estratégia política, a determinação de agregar valor a eles, processá-los, transformá-los e utilizar este atributo geológico como um claro instrumento para o desenvolvimento"
Contexto internacional
Empresas norte-americanas e o governo de Donald Trump expressaram interesse no Brasil como fonte de terras raras. Não obstante, a relação entre ambos os países foi afetada pelas tarifas impostas por Washington às exportações brasileiras.
No final de abril, a empresa brasileira Serra Verde, especializada na mineração de terras raras, foi adquirida pela norte-americana USA Rare Earth por aproximadamente 2,8 bilhões de dólares.
O presidente Lula manifestou uma abertura para o investimento estrangeiro, porém insistiu que as terras raras sejam processadas dentro do território nacional e não exportadas como matéria-prima, garantindo que o país capture o máximo valor de seus recursos naturais estratégicos.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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