Asunção 500: projetam cidade renovada e com visão para 50 anos
A celebração dos 500 anos da capital paraguaia aponta a se converter no ponto de partida de uma transformação urbana de longo prazo.
Asunção se prepara para celebrar seus 500 anos com uma agenda que busca transcender o comemorativo. A Comissão Asunção 500 Anos propõe utilizar o aniversário de 2037 como um marco para impulsionar uma planificação urbana com uma visão de ao menos cinco décadas.
Carlos Renato Máas Franco, coordenador da Comissão Asunção 500 Anos, explicou que o desafio é aproveitar os projetos que já estão em marcha para construir uma visão de cidade que possa se sustentar no tempo. "Eu vejo Asunção em 11 anos como um marco, não como uma meta", expressou em uma entrevista com Paraguay TV.
Um dos principais focos está colocado na recuperação do Centro Histórico de Asunção, com iniciativas destinadas a restaurar edifícios, espaços públicos e atrair novamente residentes.
Segundo Máas Franco, atualmente existe interesse do setor privado por reutilizar imóveis disponíveis. Entre os projetos mencionados encontra-se o de uma universidade privada que prevê atrair mais de 1.500 estudantes estrangeiros nos próximos 24 meses, que residiriam no Centro Histórico.
A aposta é gerar novamente atividade comercial, educativa e cultural, e recuperar uma zona que perdeu população significativamente com o passar dos anos.
A isto se soma o trabalho do Ministério da Moradia, Urbanismo e Habitat (MUVH), que analisa alternativas de aluguel de baixo custo para os asuncenos que desejam retornar ao centro. "Queremos ver um centro histórico revitalizado com muitos jovens nas ruas como uma grande primavera", apontou Máas Franco.
OBRAS POR USD 100 MILHÕES
Entre as intervenções de maior envergadura encontra-se o Projeto de Resiliência para a Faixa Costeira de Asunção, financiado pelo Banco Mundial por aproximadamente USD 100 milhões. A iniciativa contempla intervenções no Centro Histórico e a revitalização do Parque Caballero. Também prevê a realocação de mais de 550 famílias da Chacarita para uma zona segura, no denominado bairro Ecoinclusive.
Paralelamente, a Secretaría Nacional de Cultura trabalha na restauração de edifícios históricos, enquanto que outras intervenções apontam a recuperar praças e espaços públicos. A rua Paraguayo Independiente também figura entre as zonas que serão intervenidas, com uma proposta que busca dar maior prioridade ao pedestre.
PLANIFICAÇÃO A 50 ANOS
Outro dos exemplos citados é a Feira Palmear, que cada sábado reúne mais de 3.500 pessoas no Centro Histórico. A iniciativa faz parte de um processo de recuperação que também incluiu o projeto Palma Brilla, por meio do qual se avançou no soterramento de cabos da Ande que afetavam a paisagem patrimonial.
Os trabalhos começaram na rua Palma, continuaram para Presidente Franco e encontram-se em processo de conclusão em Benjamín Constant.
A celebração dos 500 anos aparece como uma oportunidade para definir que cidade deseja construir o Paraguai para 2037 e, especialmente, que cidade deseja deixar para as gerações futuras. A visão proposta combina patrimônio, moradia, mobilidade, espaços públicos, investimento privado e planificação metropolitana. "Se realmente queremos planificar Asunção, temos que planificar por pelo menos 50 anos", afirmou Máas Franco.
O TREM DE CERCANIAS
A mobilidade constitui outro dos grandes desafios da capital e seu entorno. Nesse contexto, o trem de cercanias aparece como um dos projetos considerados estratégicos para conectar Asunção com a Área Metropolitana.
Segundo explicou o coordenador, o projeto encontra-se em desenvolvimento como parte de uma estratégia integral de planificação urbana de longo prazo.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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