ARP e AFD trabalham para ampliar o acesso ao crédito para pecuaristas
A Associação Rural do Paraguai (ARP) apresentou alternativas para melhorar o acesso ao financiamento do setor pecuário mediante uma mesa de trabalho coordenada pela Agência Financeira de Desenvolvimento (AFD), com participação do sindicato e entidades bancárias interessadas em financiar a produção pecuária.
A iniciativa foi abordada no marco da visita de Dominica Zavala Zubizarreta, membro da Diretoria da AFD à Comissão Diretiva da Rural. O objetivo principal foi desenvolver ferramentas creditícias que respondam às particularidades da atividade pecuária.
Ciclos produtivos e prazos de financiamento
Gabriel Ruiz, presidente da comissão de Economia e Agronegócio, explicou que a pecuária requer prazos de recuperação distintos aos de outros setores econômicos. Desde o serviço reprodutivo até o desmame de um bezerro podem transcorrer aproximadamente 19 meses, enquanto que ao somar as etapas de recria e terminação, o processo pode superar os três anos.
Por isso, assinalou que não basta dispor de recursos, mas que se necessitam taxas competitivas, períodos de carência e prazos que permitam investir e cumprir com as obrigações sem comprometer a continuidade dos estabelecimentos.
"Não se trata apenas de obter um crédito", afirmou Ruiz, que mencionou que atualmente o setor conta com taxas de referência de 12,5%. A aspiração é alcançar, mediante uma articulação adequada, empréstimos com juros de um só dígito.
O representante da ARP indicou que para conseguir isso se requerem bancos dispostos a financiar a maior prazo e com margens razoáveis.
Diferenciação conforme o tamanho do produtor
Ruiz destacou que os estabelecimentos grandes costumam acessar com maior facilidade o sistema bancário, enquanto os pequenos e médios produtores enfrentam mais obstáculos para financiar suas atividades.
Nesse sentido, propôs analisar critérios de avaliação diferenciados conforme o tamanho do estabelecimento, as necessidades de investimento, o montante solicitado e a capacidade de pagamento. Também propôs unificar determinados requisitos documentais entre as entidades participantes, quando corresponda.
Esclareceu que a intenção não é eliminar controles nem debilitar a análise de riscos, mas evitar exigências desnecessárias e adequar os processos a cada perfil produtivo. Igualmente, considerou importante incorporar o Banco Nacional de Fomento e analisar a participação de representantes da Superintendência de Bancos do Banco Central do Paraguai.
Financiamento para compra de campos
Outro dos temas abordados foi o financiamento para adquirir estabelecimentos rurais, uma proposta impulsionada pelo presidente da ARP, Daniel Prieto Davey.
Ruiz explicou que numerosos campos familiares saem à venda quando as novas gerações não continuam vinculadas à atividade. Nesse contexto, contar com empréstimos apropriados permitiria que outros produtores, incluídos paraguaios interessados em ampliar suas explorações, acessem essas propriedades e as mantenham em produção.
Também ressaltou a importância de trabalhar com entidades que conheçam a realidade pecuária e ofereçam condições previsíveis. Advertiu que as mudanças posteriores nas taxas, prazos ou políticas creditícias podem alterar as projeções de investimentos de longo prazo.
A mesa de trabalho proposta permitiu dialogar com bancos interessados no setor e explorar acordos que contribuam maior clareza sobre as condições de financiamento para o desenvolvimento pecuário.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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