Apenas um banco se interessou em fundos previdenciários do IPS
Conselho aprova colocação de recursos, mas com participação mínima e preocupação com concentração
O Conselho de Administração do Instituto de Previsão Social (IPS) aprovou ontem uma nova colocação de recursos do Fundo Comum de Jubilações e Pensões da previdenciária mediante certificados de depósito de poupança (CDA). Porém, a decisão foi marcada pela preocupação ante a escassa participação das entidades financeiras convocadas e alguns questionamentos diante da concentração das inversões em uma mesma instituição bancária.
Sobre o primeiro ponto, a gerente de Administração e Finanças do IPS, Gladys Vera, informou que após o cancelamento do último leilão, para esta nova convocatória foram convidadas dez entidades financeiras para participar, mas somente o Zeta Banco apresentou ofertas.
A convocatória correspondeu ao Concurso de Ofertas nº 04/2026, realizado através do Banco Central do Paraguai (BCP), depois que o Conselho resolveu na semana passada deixar sem efeito uma adjudicação anterior para voltar a analisar as colocações e buscar melhores condições.
Para este chamado, conseguiu-se colocar com dita entidade financeira apenas 20% dos G. 200.000 milhões que se pretendiam, com G. 20.000 milhões a um prazo de 7 anos e uma taxa de 11,13%, e uns G. 10.000 milhões, a 6 anos, com uma taxa de 11,02%.
Em dólares, enquanto isso, alcançou-se uma colocação de apenas USD 4,5 milhões, dos USD 15 milhões aos quais se apontava.
A gerente, além disso, defendeu que o banco tem classificação AA, o que significa que goza de uma solidez financeira muito elevada.
"Então, G. 170.000 milhões ficarão pendentes de colocar em um novo leilão ou ver outras formas de colocar esses recursos", acrescentou.
A baixa participação chamou a atenção de vários membros do organismo e até a conselheira Bettina Albertini solicitou informes para determinar as razões pelas quais as entidades restantes decidiram não se apresentar.
O presidente do IPS, Isaías Fretes, por sua vez, manifestou sua preocupação pelo elevado volume de recursos que permanecerão sem colocação. "É demasiado dinheiro parado. Se foram convidadas 10 entidades bancárias e apenas uma se apresentou, eu me pergunto: será que o mercado já está tão inundado de dinheiro do IPS que já não há lugar de colocação?", expressou, ao tempo que instou a explorar outras alternativas de investimento.
"Oferece-se dinheiro para a população a preço de mercado, não gera interesse, então digo: demasiado dinheiro há no sistema do IPS, há que buscar outras alternativas", concluiu.
Desde a Direção de Investimentos, Hugo Díaz explicou que o contexto financeiro atual, além das condições oferecidas, poderia estar influenciando no pouco interesse mostrado pelos bancos.
"Realmente o IPS hoje, embora seja um ator importante no mercado financeiro como agente colocador (...), sabemos que representa 6,5% do total de depósitos de todo o sistema. Existe muita liquidez a que também podem recorrer as entidades. (...) As entidades provavelmente não estavam muito de acordo pelo tema de risco da taxa de juros que elas têm que levar em conta como entidade intermediária", explicou.
Por outro lado, embora a proposta tenha sido aprovada por maioria, Bettina Albertini manifestou sua oposição respeito à concentração dos recursos em apenas um banco. Embora tenha reconhecido que a entidade cumpre com os requisitos estabelecidos para participar das colocações, insistiu na necessidade de incorporar critérios adicionais de avaliação.
"Com um critério de prudência dentro da administração dos recursos financeiros e a minimização dos riscos, emito meu voto em dissidência, levando em conta que Zeta Banco já mantém recursos financeiros com o IPS, como depósitos à vista, CDA em guaranis e em dólares, e como já são superiores ao seu patrimônio", afirmou.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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