Anthropic suspende acesso a modelos de IA por ordem do governo dos EUA
A empresa criadora do chatbot Claude desativa seus dois modelos mais avançados após determinação da administração Trump relacionada à segurança nacional
Suspensão de modelos de inteligência artificial
A empresa estadounidense de inteligência artificial Anthropic anunciou a suspensão do acesso à versão mais potente de sua tecnologia em cumprimento a uma ordem do governo dos Estados Unidos que invoca um risco de segurança nacional. Anthropic, criadora do chatbot Claude, informou a suspensão de seus dois novos modelos: sua versão muito restringida Mythos 5 e sua variante limitada para o grande público, Fable 5.
O governo de Donald Trump ordenou, em virtude do controle de exportações, cortar o acesso a estes modelos para todo cidadão estrangeiro, dentro ou fora dos Estados Unidos, incluindo os funcionários estrangeiros da Anthropic. Ao não conseguir filtrar seus usuários de maneira precisa, Anthropic assinalou que se viu obrigada a desativar de forma abrupta ambos os modelos para o conjunto de seus clientes.
Reações internacionais
A União Europeia, que obteve acesso a Mythos no início de junho após várias semanas de negociações, declarou que isto sublinha a necessidade de soberania tecnológica da Europa. "Tomamos conhecimento da declaração de Anthropic e estamos avaliando a situação", declarou Thomas Regnier, porta-voz da Comissão Europeia, que este mês divulgou medidas destinadas a reduzir a dependência dos 27 Estados membros dos Estados Unidos e Ásia em tecnologias-chave, incluindo a inteligência artificial.
Segundo relatos, a diretiva emana do secretário de Comércio, Howard Lutnick. O governo estadounidense teria dado a ordem após ficar sabendo que uma empresa havia conseguido contornar as salvaguardas implantadas para estes modelos, conhecidos por detectar e explorar falhas de cibersegurança com grande rapidez e precisão.
Postura de Anthropic
Anthropic questionou a decisão, que atribuiu a um mal-entendido. "Não concordamos que a descoberta de uma possível vulnerabilidade, ainda que limitada, deva ser motivo para retirar um modelo comercial que já utilizam centenas de milhões de pessoas", assinala no comunicado da empresa.
"Se este padrão fosse aplicado ao conjunto do setor, acreditamos que praticamente paralisaria todos os novos desdobramentos de modelos de inteligência artificial de ponta", acrescentou a empresa, na primeira linha da competição mundial frente à OpenAI, Google e à chinesa DeepSeek. Anthropic afirmou estar trabalhando para restabelecer "o quanto antes" o acesso a estes modelos de última geração, enquanto os demais continuam operativos.
Debate sobre regulação e segurança
Fundada em 2021 pelos irmãos Dario e Daniela Amodei e outros ex-executivos da OpenAI, Anthropic defende há muito tempo uma regulação pública da inteligência artificial. Em um ensaio publicado esta semana, Dario Amodei defendeu um regime de auditorias obrigatórias para os modelos mais potentes. Mas isto deve fazer-se "no marco de um procedimento legal transparente, justo, claro e baseado em fatos técnicos", recorda Anthropic em seu comunicado. A diretiva de sexta-feira "não respeita estes princípios", denunciou a empresa.
"A segurança e o acesso são ambos interesses nacionais. Esta noite, apenas um dos dois foi ouvido", assinalou um analista dedicado a questões de inteligência artificial. No início de junho, Trump adotou um controle facultativo por parte do governo sobre os modelos mais avançados, uma mudança em uma administração até então enfocada em outros aspectos da regulação tecnológica.
Características dos modelos suspensos
Fable 5 é o primeiro modelo divulgado publicamente pertencente à classe Mythos, a gama mais avançada de Anthropic. A empresa havia revelado a existência de Mythos no início de abril, mas restringiu seu uso a um consórcio de empresas e instituições devido a suas capacidades avançadas. Fable 5 estava limitado em seu alcance de aplicações comerciais desde seu lançamento.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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