ANDE estabelece prazo limite para que Atome defina operação de planta em Villeta
Prazo definitivo para negociações
O presidente da Administração Nacional de Electricidade (ANDE), engenheiro Miguel Ángel Báez Reyes, informou que Atome PLC tem até 30 de setembro de 2026 para definir a operação de sua planta em Villeta. Esta comunicação foi realizada durante a apresentação do Orçamento Geral da Nação 2024 ante a Comissão Bicameral.
Histórico de modificações contratuais
Atome assinou em 2022 um contrato com a ANDE sob o pliego de tarifas nº 21. O acordo original estabelecia o início de operações em 1º de janeiro de 2025 com 60 megavatios (MW) de potência reservada.
Por meio de sucessivas aditivas, a empresa tem modificado os termos do contrato. Em 2022 apresentou uma primeira modificação que manteve a data de início, mas elevou a potência a 120 MW a partir de julho de 2025. Em julho de 2023, uma segunda aditiva transferiu o arranque para 1º de junho de 2025 e aumentou a potência a 145 MW.
A terceira aditiva, apresentada em 2024, estabeleceu a colocação em serviço para 1º de janeiro de 2027, mantendo os 145 MW. Posteriormente, em agosto de 2026, Atome apresentou um novo expediente propondo iniciar operações em 2029.
Impacto operativo na ANDE
Báez Reyes apontou que estes adiamentos sucessivos geram dificuldades operativas para a instituição. A ANDE reserva potência e contrata energia em Itaipu em função dos compromissos assumidos por Atome. Não obstante, no terreno de Villeta existe apenas uma placa identificatória da empresa, sem que tenham sido iniciadas obras de construção.
O contrato original tem vigência de dez anos e vencerá em 2032. Segundo Báez Reyes, a situação resulta em que a empresa ainda não consumiu energia quando já se aproxima o término da metade do período contratual.
Condições do ultimato
A ANDE estabeleceu na última aditiva que essa seria a última modificação permitida sobre a data de início, embora tenha permanecido aberta a possibilidade de ajustar a potência contratada. O prazo de 30 de setembro de 2026 constitui o limite para negociar uma nova aditiva.
Se não se chegar a um acordo, Atome deverá depositar uma apólice de garantia bancária equivalente a 2% do custo de um ano de energia, estimado em aproximadamente 40 milhões de dólares. Segundo o titular da ANDE, em caso contrário proceder-se-á à anulação do contrato.
Desacordo sobre tarifas de energia
Báez Reyes esclareceu que o desacordo não é de natureza legal, mas comercial. O conflito centra-se na tarifa de energia. Atome procura abandonar a tarifa 21, que atualmente situa-se em torno de 36 dólares por megavatt, para ingressar em um Contrato de Compravenda de Energia (PPA) a 15 anos com uma tarifa de 30 dólares, sem reajustes nos primeiros dez anos e um ajuste de 2,5% nos últimos cinco.
"Nós não podemos vender por abaixo de nossa tarifa. Isso é bem claro", manifestou o presidente da ANDE.
A instituição busca um ponto de equilíbrio que beneficie tanto o Estado paraguaio quanto a empresa, embora até o momento não se tenha alcançado o consenso necessário.
Orçamento com redução de investimentos
Durante a mesma apresentação, Báez Reyes expôs o projeto de orçamento da ANDE para o próximo período. O documento contempla uma redução de 11% nos recursos globais. O Grupo 500 de Investimentos Físicos sofrerá um corte de 22%, diminuindo de G. 5,10 bilhões disponíveis em 31 de julho de 2026 a G. 3,96 bilhões (USD 614 milhões). O Subgrupo 520 de Construções experimentará uma queda de 28,3%, de G. 3,95 bilhões a G. 2,83 bilhões.
Esta desaceleração no investimento físico afeta a capacidade de fortalecer o sistema elétrico nacional, aspecto que especialistas do setor têm apontado como crítico para reduzir os apagões que afetam a cidadania durante os períodos de maior consumo energético.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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